Cultura
Brasil fica sem Oscar em ano com recorde de indicações
‘O Agente Secreto’, de Kleber Mendonça Filho, competia nas categorias de Melhor Filme, Filme Internacional, Ator e Elenco. ‘Uma Batalha Após a Outra’ é o grande vencedor da noite, com seis estatuetas
Não foi desta vez que o Brasil conseguiu a segunda estatueta consecutiva no Oscar. Indicado para as categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Seleção de Elenco, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, acabou passando em branco na edição de 2026. Foi o ano em que o país mais teve indicações para o maior prêmio de Hollywood, com cinco, no total.
Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, foi o grande vencedor da noite, levando a estatueta de melhor longa-metragem. O filme ganhou seis Oscars na edição de 2026. Pecadores, também cotado para melhor filme, garantiu quatro estatuetas.
Na categoria de Melhor Filme Internacional, o Brasil não conseguiu repetir o sucesso do ano passado, quando Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, venceu a categoria, se tornando o primeiro filme brasileiro a ser premiado com uma estatueta da Academia.
Neste domingo 15, o longa dirigido por Kleber Mendonça Filho foi superado pelo dinamarquês Valor Sentimental. Também concorriam o iraniano Foi Apenas um Acidente, o espanhol Sirat e o tunisiano A Voz de Hind Rajab.
Já Wagner Moura não saiu premiado na disputa por sua atuação em O Agente Secreto. O vencedor da noite foi Michael B. Jordan, por Pecadores. Também concorriam Timothée Chalamet (Marty Supreme), Leonardo DiCaprio (Uma Batalha Após a Outra) e Ethan Hawke (Blue Moon).
Na categoria de Seleção de Elenco, que estreou na edição 2026, o premiado foi Uma Batalha Após a Outra. O brasileiro Gabriel Domingues concorria por seu trabalho no filme de Kleber Mendonça.
Em Fotografia, vencida por Pecadores, o brasileiro Adolpho Veloso também disputava pelo trabalho no filme americano Sonhos de Trem, produção da Netflix dirigida por Clint Bentley.
O Agente Secreto encerra percurso internacional
A premiação encerrou uma longa turnê de O Agente Secreto, iniciada no Festival de Cannes, onde faturou os prêmios de melhor direção e melhor ator, também com Wagner Moura.
A produção ainda venceu duas das principais categorias do Globo de Ouro: melhor filme em língua não inglesa e melhor ator em filme de drama, novamente com o ator baiano.
O longa é um thriller político com toques de realismo fantástico ambientado na época da ditadura militar. A trama narra o retorno de um professor perseguido, interpretado por Moura, à sua cidade natal, Recife, em 1977. Lá, embora ainda incógnito, ele espera retomar uma vida tranquila com a família, mas acaba se deparando com a realidade dos violentos anos finais da ditadura militar no país.
O primeiro representante brasileiro a disputar a categoria de melhor filme estrangeiro em Hollywood foi O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, em 1963. Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, concorreu em 2004 em quatro categorias: diretor, roteiro adaptado, edição e fotografia.
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