Do Micro Ao Macro

Turnover é indicador financeiro e deixou de ser problema exclusivo do RH nas empresas

Presidente da ABRH-SP explica como a rotatividade elevada drena produtividade, trava projetos e compromete a capacidade de crescimento no médio prazo.

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O turnover deixou de ser um problema exclusivo do departamento de Recursos Humanos. Em 2026, o tema ganhou espaço nas conversas de conselhos e diretorias executivas como um fator de risco financeiro, e não apenas como um indicador de gestão de pessoas. A cada saída de um profissional, a empresa perde conhecimento acumulado, contexto de projetos, conexões internas e velocidade de execução.

“Hoje, o turnover é um tema de negócio. A perda recorrente de talentos compromete a eficiência das equipes, aumenta o retrabalho e desacelera entregas. No fim, isso aparece nos custos e no desempenho da empresa”, afirma Eliane Aere, presidente da ABRH-SP.

Os gastos com rescisão e novas contratações são apenas a parte visível do problema. Por trás deles, há uma cadeia de impactos menos óbvios: o tempo investido em recrutamento e seleção, o período de adaptação até o novo profissional atingir alta performance, a sobrecarga das equipes durante a transição, os atrasos em projetos, a queda na qualidade das entregas e o risco de novas saídas provocadas pela queda de engajamento.

“Existe uma perda de produtividade que nem sempre é mensurada, mas que afeta diretamente os resultados. Cada profissional que sai leva consigo conhecimento crítico do negócio, e isso tem valor econômico”, diz Aere.

Instabilidade que trava o crescimento

Em um ambiente de transformação digital acelerada e pressão constante por inovação, o turnover elevado fragiliza a construção de times de alta performance e compromete a continuidade de projetos de longo prazo.

Empresas com dificuldade de reter talentos enfrentam ciclos mais longos de execução e menor capacidade de sustentar crescimento. Para a ABRH-SP, o desafio da retenção está diretamente ligado à sustentabilidade do negócio.

“Não se trata apenas de manter pessoas, mas de preservar conhecimento, cultura e capacidade de execução. A rotatividade excessiva gera um ambiente de permanente recomeço, que é caro e pouco eficiente para as organizações”, afirma a presidente.

RH faz parte da estratégia financeira

O papel do RH ganha uma dimensão diferente nesse contexto. A área passa a ser responsável por estruturar políticas que reduzam a saída de talentos e protejam ativos intangíveis do negócio, e não apenas por gerir processos de contratação.

Entre as frentes que têm ganhado prioridade nas empresas estão planos claros de desenvolvimento e carreira, formação de lideranças mais preparadas para gestão de pessoas, modelos de trabalho mais flexíveis e uso de dados de engajamento e clima para antecipar riscos de saída antes que eles se concretizem.

Por que o debate ganha força agora

O início do ano, período tradicional de reorganização interna, é visto pela ABRH-SP como o momento mais indicado para ampliar a discussão sobre rotatividade no nível da alta liderança.

“A agenda de pessoas precisa estar conectada à agenda de negócios. Quando o turnover entra no radar da alta liderança como um indicador de risco financeiro, e não apenas de gestão de pessoas, a empresa passa a tomar decisões mais sustentáveis para o seu crescimento”, conclui Aere.

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