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Bombardeios do Paquistão deixam seis mortos no Afeganistão

Os paquistaneses afirmam que os afegãos abrigam grupos armados

Bombardeios do Paquistão deixam seis mortos no Afeganistão
Bombardeios do Paquistão deixam seis mortos no Afeganistão
Afegãos contabilizam os prejuízos após ataques paquistaneses na região de Cabul – foto: AFP
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Novos bombardeios do Paquistão contra Cabul e outras regiões do Afeganistão deixaram quatro mortos na capital afegã e dois em uma área de fronteira, informaram as autoridades talibãs nesta sexta-feira 13. O governo de Islamabad confirmou os ataques noturnos.

O Paquistão acusa há vários meses o país vizinho de abrigar grupos armados, incluindo os talibãs paquistaneses TTP, responsáveis por vários atentados mortais em seu território, o que o governo afegão nega.

O conflito entrou em uma fase ainda mais grave em 26 de fevereiro, quando o Afeganistão lançou uma ofensiva na fronteira em resposta aos ataques aéreos paquistaneses. Islamabad declarou então “guerra aberta” às autoridades talibãs e bombardeou Cabul.

“Dando continuidade à sua agressão, o regime militar paquistanês bombardeou mais uma vez Cabul, Kandahar (cidade do sul) e, entre outras, as regiões fronteiriças de Paktia e Paktika”, anunciou nesta sexta-feira na rede social X o porta-voz do governo talibã, Zabihullah Mujahid.

Uma fonte das forças de segurança paquistanesas, que falou sob condição de anonimato, confirmou à AFP os ataques noturnos contra o Afeganistão e disse que os bombardeios tinham como alvos “posições do TTP”.

Em Cabul, quatro pessoas morreram e 15 ficaram feridas em “um bombardeio do regime paquistanês” que atingiu “casas de civis”, anunciou o porta-voz da polícia da capital afegã, Khalid Zadran, na rede social X.

Uma equipe da AFP que seguiu para o local viu uma residência completamente destruída e outras muito danificadas pelo bombardeio. Moradores em estado de choque estavam nas ruas, alguns com ferimentos.

“Dois homens e duas mulheres morreram como mártires”, disse à AFP Abdul Rahim Tarakhil, representante do distrito da capital.

“Aqui não há nenhum posto militar, só pessoas comuns e pobres que não estão envolvidas com a política”, afirmou.

O porta-voz da polícia da província de Nangarhar, Sayed Tayeeb Hammad, informou à AFP que uma mulher e uma criança morreram devido ao impacto de um projétil paquistanês, em uma região do leste do Afeganistão na fronteira com o Paquistão.

“Um projétil atingiu uma casa no distrito de Mohmand Dara, matando uma mulher e uma criança”, declarou o porta-voz, que atribuiu o ataque ao Paquistão.

‘Último suspiro’

Abdul Wahid, 29 anos, ficou ferido em uma das casas de Cabul. “Era pouco depois de meia-noite e eu fui fazer minha ablução quando ouvi um barulho de outra casa, não sei o que aconteceu depois, mas todos os tijolos caíram sobre mim, as mulheres e as crianças”, disse à AFP.

“Fiquei assim durante dez minutos, como se fosse meu último suspiro, mas depois os vizinhos chegaram e tiraram os tijolos (…) e nos levaram ao hospital”, acrescentou. Quatro integrantes de sua família ficaram feridos.

Em Kandahar, a cidade do sul do país onde vive recluso o líder supremo dos talibãs afegãos, Haibatullah Akhundzada, os ataques paquistaneses atingiram o depósito de combustível da companhia aérea Kam Air, perto do aeroporto, segundo o governo afegão.

Desde a declaração paquistanesa de conflito aberto, os confrontos se tornaram mais intensos nas áreas de fronteira.

Entre terça-feira e quinta-feira, sete civis, incluindo crianças, morreram em ataques do Paquistão nas regiões fronteiriças do leste e sudeste do Afeganistão, segundo as autoridades afegãs e fontes médicas.

Segundo um balanço da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) de 5 de março, 56 civis afegãos, incluindo 24 crianças, morreram desde o agravamento dos confrontos em 26 de fevereiro.

Pelo menos 115 mil pessoas foram deslocadas no Afeganistão pelos combates, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

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