Esporte
Trump afirmou que seleção do Irã é ‘bem-vinda’ na Copa do Mundo, diz Infantino
O chefe da Fifa afirmou ter conversado com o presidente dos EUA na terça-feira
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou nesta quarta-feira 11 que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu durante uma conversa na terça-feira que receberá sem obstáculos a seleção do Irã na Copa do Mundo de 2026, que será disputada na América do Norte.
“Durante nossa conversa, o presidente Trump reiterou que a seleção iraniana é bem-vinda, sem dúvida, para disputar o torneio nos Estados Unidos”, que organiza o Mundial com México e Canadá, escreveu o dirigente em sua conta no Instagram.
Infantino mencionou pela primeira vez “a situação no Irã”, sem explicar se a incerteza a respeito da participação da seleção na Copa do Mundo (11 de junho a 19 de julho) era motivada pelos ataques americanos e israelenses de 28 de fevereiro contra o país, que desencadearam uma guerra no Oriente Médio.
Poucas horas após o início da ofensiva, o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, mencionou a hipótese de um boicote à competição, mas explicou que a palavra final corresponderia às “autoridades esportivas” do país.
Analistas também mencionaram a possibilidade de que o governo dos Estados Unidos se negasse a receber os iranianos por razões de segurança, já que as três partidas do Irã na fase de grupos estão programadas para grandes cidades como Los Angeles e Seattle.
“Todos nós precisamos, mais do que nunca, de um evento como a Copa do Mundo da Fifa para unir as pessoas, e agradeço sinceramente ao presidente dos Estados Unidos por seu apoio, porque demonstra mais uma vez que o futebol une o mundo”, insistiu Infantino.
O presidente da Fifa demonstra regularmente sua proximidade com o mandatário americano. No ano passado, Infantino entregou a Trump um “Prêmio Fifa da Paz”, cujos critérios nunca foram revelados.
Se o Irã não participar da maior competição do futebol mundial, será a primeira vez que isso acontece desde que França e Índia desistiram da Copa de 1950, disputada no Brasil.
Na semana passada, a seleção feminina do Irã participou da Copa da Ásia, disputada na Austrália. Após a eliminação da equipe no torneio, várias jogadoras pediram asilo ao país da Oceania – a televisão estatal iraniana criticou as atletas por não cantarem o hino antes de uma das partidas disputadas.
Asilo na Austrália
Cinco jogadoras, incluindo a capitã Zahra Ghanbari, fugiram do hotel da seleção e pediram asilo às autoridades australianas, anunciou o governo do país. Segundo a imprensa local, pelo menos outras duas integrantes da equipe também solicitaram permanência no país, mas o ministro do Interior da Austrália, Tony Burke, afirmou que uma delas mudou de ideia.
No Parlamento australiano, Burke disse ter sido informado que uma integrante da delegação “havia conversado com algumas das colegas de equipe que deixaram o país e mudou de ideia”.
“As colegas a aconselharam e incentivaram a entrar em contato com a embaixada iraniana”, afirmou o ministro.
Burke explicou que, durante o contato com a embaixada, foi revelado o local onde as refugiadas se encontravam, o que motivou a transferência do grupo para um local seguro.
O restante da equipe chegou nesta quarta-feira à Malásia. A delegação está em um hotel de Kuala Lumpur e aguarda a possibilidade de retornar ao Irã, em um contexto de guerra que provocou o cancelamento de muitos voos nesta região.
Burke afirmou que, no aeroporto de Sydney, cada jogadora teve a possibilidade de solicitar asilo de modo privado, sem a presença de seus acompanhantes.
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