Economia
Governo e Motta não chegam a acordo sobre valor mínimo para trabalhadores de aplicativos
O impasse sobre o piso por corrida ou entrega continua, mas a intenção é votar o texto em abril
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reuniu-se nesta terça-feira 10 com ministros do governo Lula (PT) e com o relator do projeto que regulamenta o trabalho por aplicativos, a fim de tentar avançar nas negociações sobre a proposta. Apesar do encontro, o grupo não chegou a um acordo sobre o valor mínimo a ser pago por corridas ou entregas realizadas por meio das plataformas.
Participaram da reunião, realizada na Residência Oficial da Câmara, o relator da proposta, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), e os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), Luiz Marinho (Trabalho) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais).
O principal ponto de divergência é o piso de remuneração para os trabalhadores. O relatório em discussão prevê um valor mínimo de 8,50 reais por corrida ou entrega, enquanto o governo defende um piso mais elevado, em torno de 10 reais. Sem consenso, o tema continua a ser negociado entre Palácio do Planalto, parlamentares e representantes das plataformas.
A proposta tramita em uma comissão especial da Câmara e trata de regras para motoristas e entregadores, incluindo critérios de remuneração mínima e condições de trabalho nas plataformas digitais.
Mesmo com o impasse, Motta afirmou a jornalistas que pretende acelerar a tramitação da proposta. A expectativa é que as negociações avancem ao longo de março para permitir a votação no plenário até o fim de abril, antes do Dia Internacional do Trabalhador, em 1º de maio.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Governo pode enviar novo projeto com urgência para acelerar o fim da escala 6×1, diz Marinho
Por Vinícius Nunes
PEC do fim da escala 6×1 pode causar novo racha no União Brasil
Por Vinícius Nunes



