Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Mulheres também estão na trincheira por meio da palhaçaria, diz Jéssica Alves

A intérprete da palhaça Vírgula apresenta neste mês o espetáculo ‘Dia de Cã’, em São Paulo

Mulheres também estão na trincheira por meio da palhaçaria, diz Jéssica Alves
Mulheres também estão na trincheira por meio da palhaçaria, diz Jéssica Alves
Foto: Divulgação
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Quando se mudou de São José dos Campos (SP) para a capital paulista, em 2012, para firmar sua carreira como palhaça, Jéssica Alves passou a viver as agruras de uma mulher na “correria” do transporte público e do trabalho. “Foram inúmeros assédios”, relembra, em entrevista a CartaCapital.

Jéssica incorporou essa vivência ao espetáculo Dia de Cã, que ela encena em São Paulo no Sesc Casa Verde (neste domingo 8 – entrada gratuita) e no Sesc Avenida Paulista (de 13 a 28 de março — ingressos no site e nas unidades do Sesc).

A artista atua sozinha no palco, abordando questões de classe e de gênero com a irreverência da palhaça Vírgula. “Esse espetáculo é feito em uma linguagem física, trazendo a dança, que está com a palhaçaria desde o início”, explica. “É uma linguagem não verbal e mostra mais um dia da trabalhadora com numerosas humilhações.”

O espetáculo mantém a tradição do palhaço: fazer rir. “Existe comicidade em nossa vivência, assim como na tradição masculina, em que se procurava ser cômico a partir das atividades, seja no trabalho ou no cotidiano. As mulheres, quando se veem sobrecarregadas ou em situações irônicas, buscam a risada.”

Quando as mulheres ingressam na arte do palhaço, acrescenta Jéssica, carregam aspectos de sua realidade, como a maternidade e as situações de machismo. Oferecem, assim, “uma mensagem de liberdade artística e comicidade a partir da opressão”.

Dia de Cã conta ainda com uma trilha sonora criada pelo multi-instrumentista Marcelo Bueno.

Formada em Gestão de Políticas Públicas pela USP, Jéssica Alves trabalha também como analista e gestora de projetos educacionais, culturais e de direitos humanos. Começou a carreira artística há 15 anos, reunindo dança e a técnica circense que aprendeu em uma escola de circo.

“Nosso objetivo é parar a violência contra a mulher”, resume. “E fico feliz de fazer humor com responsabilidade social.”

Assista à entrevista de Jéssica Alves a CartaCapital:

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