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Lula cobra menos armas e mais comida ao criticar Trump em evento da ONU

Em conferência sobre a fome em Brasília, o presidente ironizou o discurso militarista do norte-americano e a política dos EUA para Cuba e Gaza

Lula cobra menos armas e mais comida ao criticar Trump em evento da ONU
Lula cobra menos armas e mais comida ao criticar Trump em evento da ONU
Lula e Donald Trump. Fotos: Ricardo Stuckert/PR e Jim Watson/AFP
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu uma série de recados ao norte-americano Donald Trump nesta quarta-feira 4, ao participar da abertura de evento das Nações Unidas sobre a fome, em Brasília. O encontro conta com representantes de países latino-americanos e do Caribe.

“Vocês acham normal o presidente Trump, todo dia, ficar dizendo ‘eu tenho o maior navio do mundo’, ‘eu tenho o maior exército do mundo’? Por que ele não fala ‘eu tenho a maior capacidade de produção de alimentos do mundo’, ‘eu tenho como distribuir alimentos’? Era muito mais simples, soaria melhor para nossos ouvidos”, disse Lula, no único momento do discurso em que mencionou nominalmente o presidente dos EUA.

Ao discursar aos ministros e autoridades dos países da região, Lula insistiu, por diversas vezes, em uma ideia que faz parte de sua retórica na vida pública: que os governos deixem de investir em equipamentos bélicos e destinem os recursos ao combate à fome.

“A questão da fome está ligada ao fato de que os pobres do mundo são invisíveis ao olhar das máquinas burocráticas e dos chefes de Estado do mundo. Enquanto a gente não torná-los visíveis, a gente vai continuar brigando, lutando e gritando”, bradou.

Cuba e Haiti

Em outros momentos de sua participação no evento, Lula deu ‘indiretas’ a Trump, com quem deve se reunir nos próximos meses – ainda não há data marcada para a viagem. O petista citou a situação atual de Cuba: o governo cubano afirma que os EUA, sob Trump, tentam causar uma ‘catástrofe humanitária’ na ilha.

“Cuba está passando fome porque não querem que Cuba tenha acesso às coisas que todo mundo deveria ter direito. Vamos supor que não se cuida de Cuba por uma perseguição ideológica. ‘Então não vamos ajudar Cuba, que é um país comunista’. Ajuda o Haiti, que está ali do lado, e que passa tanta ou mais fome que Cuba e que está sendo dominado por gangues”, sugeriu o presidente brasileiro.

Defesa da ONU

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês), Qu Dongyu, veio ao Brasil para participar do evento. Lula aproveitou a presença para defender, mais uma vez, o papel das Nações Unidas. Trump é um crítico contumaz do multilateralismo.

“Quero agradecer pelo papel extraordinário que a FAO ainda tem como instituição da ONU. A ONU está ficando desacreditada. A ONU não está cumprindo aquilo que está escrito em sua carta de criação, em 1945. A ONU está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras”, apontou o presidente brasileiro.

‘Conselho de Paz’

Em outra crítica ao líder dos EUA, Lula citou o chamado ‘Conselho de Paz’, criado por Trump sob o pretexto de reconstruir Gaza após a destruição causada por Israel (com apoio dos EUA) nos últimos anos. O presidente brasileiro nunca respondeu ao convite do norte-americano para integrar o tal Conselho.

“Destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres e crianças que mataram, para agora aparecer com pompa, criando um Conselho para dizer ‘vamos reconstruir Gaza’. Aí aparece como se fosse um resort para melhorar e passar férias num lugar onde estão os cadáveres das mulheres e crianças que morreram. E muitas vezes a gente fica impassivo. Se a gente não gritar, não falar, não se mexer, nada acontece”, disse Lula.

A 39ª Sessão da Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura para a América Latina e o Caribe acontece em Brasília até a próxima sexta-feira 6.

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