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Poosting, a rede social brasileira sem algoritmo: dá para escapar do feed “viciado”?
A Poosting é uma rede social brasileira que cresceu com uma promessa objetiva: tirar o algoritmo do centro da experiência e devolver ao usuário a previsibilidade de um feed em ordem cronológica. Essa promessa é atraente para quem quer evitar ser bombardeado por informações customizadas […]
A Poosting é uma rede social brasileira que cresceu com uma promessa objetiva: tirar o algoritmo do centro da experiência e devolver ao usuário a previsibilidade de um feed em ordem cronológica. Essa promessa é atraente para quem quer evitar ser bombardeado por informações customizadas que, ao contrário de gerar uma experimentação ampla do universo digital, criam um ambiente de comoditização dos conteúdos. É uma sensação de que posso ver o que me interessa mas nunca vou mudar meus interesses. É uma viagem de paisagem única
A Poosting nasceu em Fortaleza (CE) em janeiro de 2025, idealizada pela empresa de publicidade WProo, com Afonso Alcântara como CEO e cofundador.
A ideia nasce de uma observação comum e uma insatisfação recorrente: feeds que priorizam o que performou melhor para o sistema, e não necessariamente o que importa para quem está do outro lado. Na prática, a promessa é reduzir a dependência de curadoria automatizada e reforçar vínculos sociais, com comunidades e ferramentas de interação que lembram a internet de fóruns e grupos.
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O que chama atenção imediatamente ao acessar a rede é o feed cronológico. Ao contrário de ordenar por probabilidade de engajamento, as publicações aparecem na sequência em que foram postadas, e o alcance não depende de recomendação automática. Isso elimina aquela sensação de ser ignorado em suas postagens. No entanto, o risco está na ausência de curadoria. O que você postar vai para o ar, o que às vezes é um risco. Assim, frente àquela brincadeira de nunca ligar ou mandar mensagem para um “ex-amor” depois de algumas taças de vinho para muito para a Poosting. Postou, vai para o ar.
A Poosting também resgata uma lógica de comunidades e fóruns temáticos que deixou saudade para os tradicionais e hoje vintage usuários do Orkut. Mas a adaptação aos novos tempos vem da combinação de postagens com textos curtos e rápidas atualizações, o que é o modelo do X.
Recursos: do perfil personalizável ao ‘dislike’ chamado Lixeira
Vários recursos da Poosting chamam atenção. Os perfis mais personalizáveis e uma lista de recursos dos mais comuns aos menos usuais: foto de capa, música e vídeo favoritos, status de humor, área para scraps (mensagens públicas) e a função de ver quem visitou o perfil. Na interação aparecem as curtidas, comentários, reposts, chat privado e um botão de “dislike” chamado Lixeira. Há ainda iniciativas para criar economia e gamificação dentro da própria rede. A rede possui uma moeda virtual, Postcoin, rankings mensais, Frames (em formato semelhante à Stories), Postmatch (paquera), jogos e o Post Life, um ambiente virtual 3D integrado.
Os números cresceram com o tempo. São hoje mais de 4,5 milhões de usuários. Isso obrigou a rede a fazer um processo de restrição de novos inscritos adotando uma estratégia de convites. O objetivo é crescer estruturalmente a base tecnológica para evitar experiências negativas pelos usuários. Os números são relevantes mas a disputa é muito garantida. Usuários de redes sociais transitam por mais de uma rede. No entanto, aderirem a um novo ambiente exige motivação e engajamento. A atração muitas vezes envolve o “ao redor”: amigos também frequentam a mesma rede para que os diálogos surjam e movimenta também o contato social. E a presença de influencers que qualificam o ambiente digital.
Garantir a experiência positiva e a percepção de alcance do que se posta parecem ser os maiores desafios da nova rede 100% nacional. O outro, evidente, é convencer a experimentação. Atrair e sedimentar o relacionamento com a Poosting é uma tarefa gigantesca. Mas ao mesmo tempo muito estimulante como desafio de empreendedorismo digital.
Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec
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