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Trump ameaça ‘cortar todo o comércio’ com a Espanha

O governo de Pedro Sánchez se recusou a permitir que aviões americanos usassem bases espanholas para atacar o Irã

Trump ameaça ‘cortar todo o comércio’ com a Espanha
Trump ameaça ‘cortar todo o comércio’ com a Espanha
Donald Trump. Foto: Mandel NGAN / AFP
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O presidente Donald Trump ameaçou, nesta terça-feira 3, cortar todo o comércio com a Espanha, cujo governo (de esquerda) se recusou a permitir que aviões americanos usassem bases espanholas para atacar o Irã e se opôs a aumentar seus gastos com defesa no âmbito da Otan.

“A Espanha se comportou de forma terrível”, disse Trump a jornalistas durante uma reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz, em Washington. “Vamos cortar todo o comércio com a Espanha. Não queremos ter nada a ver com a Espanha”, acrescentou, após a decisão do governo presidido pelo socialista Pedro Sánchez.

Não está claro, no entanto, que poder Trump teria para “cortar” o comércio com a Espanha, após a decisão da Suprema Corte de anular o uso que ele fazia de poderes para impor tarifas arbitrárias a outros países.

O governo espanhol destacou que ambos os países mantêm “uma relação comercial histórica e mutuamente benéfica”, disse o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares.

“Se a administração americana quiser revê-la, deverá fazê-la respeitando a autonomia das empresas privadas, a legalidade internacional e os acordos bilaterais entre a União Europeia e os Estados Unidos”, declarou Albares.

“Nosso país conta com os recursos necessários para conter possíveis impactos, ajudar os setores que possam ser afetados e diversificar as cadeias de abastecimento”, acrescentou.

Sánchez defendeu que é possível “ser contra um regime odioso como o iraniano e, ao mesmo tempo, ser contra uma intervenção militar injustificada, perigosa e fora da legalidade internacional”.

O mandatário espanhol também se mostrou crítico em relação a Israel, a quem acusou de realizar um genocídio durante sua campanha contra Gaza.

Os Estados Unidos têm um acordo com a Espanha para o uso das bases de Rota e Morón, na Andaluzia, no sul do país.

Madri recusou, no entanto, sua utilização na ofensiva contra o Irã, alegando que a guerra não se enquadrava na Carta das Nações Unidas.

Albares recordou que estas instalações são “de soberania espanhola” e assegurou que “o compromisso da Espanha com a segurança euro-atlântica está fora de qualquer dúvida”, citando como exemplo a participação do país em missões nos países bálticos, no Líbano ou no Iraque.

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