Do Micro Ao Macro

Além da homenagem, o que as mulheres realmente querem no trabalho

Especialista em liderança afirma que homenagens do 8 de março não bastam e defende metas públicas, critérios claros e revisão de políticas internas

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Às vésperas do Dia da Mulher, empresas intensificam campanhas internas e eventos de reconhecimento. No entanto, segundo especialistas, as ações simbólicas não respondem às demandas estruturais das mulheres no mercado de trabalho.

Para Thaís Roque, estrategista de carreiras e especialista em Liderança e Capital Humano, a pauta vai além das homenagens. “As mulheres não pedem gestos pontuais. Elas pedem estruturas que sustentem crescimento real”, afirma.

Com base na atuação junto a executivas, empreendedoras e lideranças em transição, ela aponta quatro eixos que sintetizam o que as profissionais buscam neste ciclo.

Promoção

Primeiro, a cobrança envolve critérios objetivos de crescimento. Segundo Thaís, muitas empresas defendem diversidade, mas mantêm processos pouco transparentes de promoção e sucessão.

“O teto de vidro ficou mais sofisticado. Crescimento não pode depender de autoconfiança individual. Precisa estar apoiado em sistemas previsíveis”, afirma.

Por isso, metas claras, avaliações estruturadas e patrocínio executivo são citados como instrumentos que reduzem desigualdades internas.

Flexibilidade no mercado de trabalho

Além disso, a consolidação do modelo híbrido alterou o debate sobre permanência nas empresas. Para muitas mulheres, a flexibilidade deixou de ser benefício e passou a ser condição de continuidade profissional.

“Quando presença física é associada a comprometimento, criam-se novas barreiras”, diz Thaís. Segundo ela, organizações que vinculam autonomia a resultados conseguem ampliar retenção e produtividade.

Segurança psicológica nas empresas

Outro ponto levantado no Dia da mulher 2026 envolve ambiente de trabalho. Muitas profissionais relatam a necessidade de moderar postura e discurso para evitar rótulos.

Esse esforço permanente, segundo a especialista, compromete desempenho e inovação. Ela defende canais efetivos de denúncia, respeito em reuniões e critérios de avaliação baseados em resultados.

“Sucesso não pode entrar em conflito com saúde mental”, afirma.

Maternidade e idade

Ainda há desafios ligados a decisões de vida. Thaís aponta que maternidade segue associada a risco corporativo em alguns contextos.

Mulheres acima dos 40 anos também enfrentam questionamentos relacionados à atualização profissional. Para ela, políticas de licença parental para todos os gêneros, programas de retorno ao trabalho e inclusão etária são medidas concretas para ampliar equidade.

Metas públicas

Por fim, a especialista defende que o Dia da mulher 2026 seja acompanhado de indicadores mensuráveis. “Sem dados sobre promoção, diferença salarial e participação em cargos de liderança, a discussão vira narrativa”, afirma.

Ela sustenta que transparência e metas públicas ajudam a alinhar discurso e prática. Ao mesmo tempo, reconhece que profissionais precisam comunicar resultados e construir redes de influência.

“Resiliência individual não corrige desigualdade sistêmica. A responsabilidade deve ser compartilhada”, diz.

Segundo Thaís, empresas que não revisarem estruturas internas terão dificuldade para atrair e reter talentos.

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