Do Micro Ao Macro
Igualdade entre mulheres e homens
Um dos grandes desafios da humanidade é alcançar a plena igualdade entre mulheres e homens. Poderia ser mais simples: começando pelo respeito.
Um dos grandes desafios da humanidade é alcançar a plena igualdade entre mulheres e homens. Poderia ser mais simples: começa pelo respeito, não apenas como discurso, mas como prática cotidiana. Respeitar é reconhecer que, independentemente do sexo, estamos diante de pessoas que sentem, desejam, sofrem, amam, choram e pensam. Pessoas que carregam, em suas trajetórias, as mesmas necessidades e direitos fundamentais.
É nesse contexto que reafirmo minha posição. Trata-se de uma luta permanente, travada por tantas mulheres ao longo da história e simbolizada por figuras públicas nacionais, como as deputadas Benedita da Silva e Luiza Erundina ou minha conterrânea Antonieta de Barros, que atuando como jornalista, cronista e deputada estadual, enfrentou o racismo, lutando por direitos iguais para as mulheres e justiça social. Mulheres que expressam, com coragem e coerência, um empoderamento essencial para a construção da história do Brasil.
O momento é de reflexão e desperta sentimentos distintos. Tristeza, diante da permanência de crueldades como o feminicídio. Mas também esperança, ao perceber que as mulheres brasileiras estão cada vez mais conscientes de que essa realidade só mudará com resistência, união e mobilização nacional integrada. A violência contra a mulher, presente nas escolas, no ambiente doméstico, nos espaços públicos e no mundo corporativo, precisa ser repudiada com firmeza. Ao mesmo tempo, a resiliência feminina precisa ser reconhecida e apoiada.
No Sebrae, temos um compromisso inabalável com a construção de um ecossistema empreendedor mais justo, inclusivo e representativo da diversidade do nosso país. Por isso, faço uma convocação especial: igualdade não é uma pauta das mulheres; é um dever de toda a sociedade.
As pesquisas do Sebrae mostram que o empreendedorismo tem sido uma porta de resistência e autonomia para milhões de brasileiras. Hoje, são mais de 10,4 milhões de donas de negócios no país, um crescimento de cerca de 26,8% na última década. Em estados como Santa Catarina e Rio de Janeiro, a taxa de empreendedorismo feminino se destaca, demonstrando a força e a capacidade de liderança das mulheres.
No entanto, os desafios estruturais permanecem. No Brasil, as mulheres empreendedoras dedicam, em média, o dobro do tempo diário aos cuidados com a família e aos afazeres domésticos em comparação aos homens. Essa sobrecarga limita tempo, energia e oportunidades de investimento estratégico nos próprios negócios, seja em planejamento, gestão, inovação ou expansão.
Por isso, o debate sobre jornadas de trabalho mais equilibradas, como o fim da escala 6×1, também se conecta a essa agenda. O futuro do desenvolvimento econômico e social do Brasil não pode prescindir do talento, da criatividade e da força das mulheres. E isso depende do nosso apoio efetivo e da coragem coletiva para enfrentar e superar o machismo estrutural.
Igualdade não é concessão. É justiça. E é condição indispensável para construirmos um Brasil mais próspero, humano e verdadeiramente democrático.
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