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Espanha, o único país europeu a dizer ‘não’ a Trump

Sob o comando de Pedro Sánchez, o país se tornou uma ilha de resistência e independência em um continente submisso às investidas da Casa Branca

Espanha, o único país europeu a dizer ‘não’ a Trump
Espanha, o único país europeu a dizer ‘não’ a Trump
Presidente da Espanha, Pedro Sánchez - Foto: Oscar Del Pozo/AFP
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A recusa do governo da Espanha em liberar o uso das bases militares de Rota e Morón na operação de bombardeio dos Estados Unidos ao Irã é o mais recente episódio de confronto entre o primeiro-ministro Pedro Sánchez e o republicano Donald Trump. Sob o comando de Sánchez, os espanhóis se tornaram uma ilha de resistência e independência em um continente submisso ante as investidas da Casa Branca, cujo desprezo pela Europa tem sido reiterado em palavras e sucessivos atos de humilhação.

“Não vamos emprestar as nossas bases para nada que não esteja no tratado [da Otan] ou que não se enquadre na Carta das Nações Unidas”, declarou o chanceler José Manuel Albares. O Reino Unido e Portugal, ao contrário, autorizaram o uso de seus territórios pelas tropas norte-americanas.

As diferenças entre os dois países, desde o retorno de Trump ao poder, se acentuaram ao longo do último ano. Enquanto países europeus aplaudiram o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, embora crítico de Maduro, a quem considerava um ditador, destacou as violações ao direito internacional. “A Espanha nunca reconheceu o regime de Maduro”, declarou à época. “Mas tampouco reconhecerá uma intervenção que viole o direito internacional e empurre a região para um horizonte de incerteza e beligerância.”

Diante do cerco de Washington a Cuba, o governo espanhol ignorou as ameaças de Trump de punir quem prestasse auxílio à ilha – o México suspendeu o fornecimento de petróleo aos cubanos por conta da advertência – e decidiu enviar alimentos e remédios por meio da agência humanitária da Organização das Nações Unidas. O apoio foi anunciado durante uma visita do ministro cubano Bruno Rodríguez à capital espanhola em 17 de fevereiro, em meio à escalada das tensões no Caribe.

A abertura de uma investigação para apurar o papel das big techs dos EUA na criação e disseminação de conteúdo de abuso infantil, a recusa em aumentar para 5% do PIB os gastos em defesa e o firme rechaço à cobiça de Trump pela Groenlândia, em contraposição à tibieza de colegas europeus, fizeram do primeiro-ministro espanhol uma pedra no sapato do republicano.

“Se focarmos na Groenlândia, tenho de dizer que uma invasão dos EUA a esse território faria de Vladimir Putin o homem mais feliz do mundo. Por quê? Porque legitimaria sua tentativa de invasão da Ucrânia”, ironizou Sánchez em entrevista ao jornal La Vanguardia.

Trump, quando pode, derrama palavras pouco elogiosas ao espanhol. O presidente dos EUA considerou “terrível” a decisão de Sánchez de não ampliar os gastos em defesa e ameaçou, antes da Corte Suprema limitar seu raio de ação, impor tarifas extras ao país, além de expulsá-lo da aliança militar da OTAN.

“Essa economia pode afundar por completo se algo de errado acontecer”, disse o mandatário norte-americano. “Estamos negociando um acordo comercial com a Espanha e vou fazê-los pagar o dobro. É sério. Gosto da Espanha. Conheço muita gente na Espanha. É um grande lugar e são grandes pessoas. Mas a Espanha é o único país que se nega a pagar”.

Outra divergência desponta no tema migração. Enquanto o ICE caça imigrantes sem documentos nos Estados Unidos e a extrema-direita cresce na Europa com a bandeira da expulsão de estrangeiros indesejados e projetos de controle mais rigoroso das fronteiras, a Espanha decidiu no fim do ano passado regularizar a situação de 500 mil ilegais residentes no país. “Estamos reforçando um modelo migratório baseado nos direitos humanos, na integração, e compatível com o crescimento econômico e com a coesão social, celebrou a ministra de Migrações, Elma Saiz.

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