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Médico e ex-jogador de futebol brasileiro

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A festa no esporte

Lucas Pinheiro Braathen no esqui, Marcelo Melo e João Fonseca no tênis e Bodø/Glimt na Champions League são surpresas marcantes

A festa no esporte
A festa no esporte
Lucas Pinheiro Braathen conquista ouro, a 1ª medalha olímpica de inverno da história para o Brasil. Foto: Dimitar Dilkoff/AFP
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As semanas recentes trouxeram várias conquistas importantes no esporte.

Tivemos, no meio do carnaval, a medalha de ouro conquistada na Olimpíada de Inverno por Lucas Pinheiro Braathen, o esquiador que, com sotaque, sua simpatia e seu talento, virou assunto no Brasil.

Nesta semana, no Rio Open, veio a vitória da dupla de tenistas Marcelo Melo, agora dono de 41 troféus na ATP Tour, e João Fonseca, que jogava a primeira partida de duplas na carreira.

A partida começou com o alemão Constantin Frantzen e o holandês Robin Haase ganhando o primeiro set. Mas os brasileiros venceram de virada por 2 sets a 1, em quase uma hora e meia de jogo, na Quadra Guga Kuerten.

Essas conquistas brasileiras apareceram lado a lado com a inédita vitória do Bodø/Glimt no agregado sobre a Inter de Milão pela Champions League.

Pouca gente ouviu falar do simpático clube norueguês, cujas camisas amarelas alegres foram festejadas pelo Mirassol, que também tem impressionado pela expressividade de suas vitórias.

Outro capítulo marcante desta semana mostra o objetivo da Copa do Brasil de promover encontros entre clubes de todas as divisões com os mais conhecidos.

O Maguary de Bonito (PE) eliminou o Fortaleza (CE). Graças ao critério do sorteio, o Maguary teve de viajar pela primeira vez de avião para vencer na capital cearense – é um pouco essa a magia do futebol.

Outro jogo que chamou atenção foi Vasco vs. Fluminense, no Cariocão.

Desta vez, a desordem em campo parecia acompanhar o desespero dos jogadores. O segundo tempo foi difícil de assistir, pois vimos muita agressividade entre atletas das duas equipes.

A tensão do encontro foi acompanhada pela pressão ainda maior da arbitragem na marcação de faltas, diante da violência com que eram cometidas.

Temos destacado, como de costume, o nível de tensão que percorre o dia a dia das pessoas.

Os jogadores precisam de lideranças que esclareçam o caráter profissional do desporto que praticam e suas consequên­cias. Como diz o ditado, “o pau que dá em Chico também dá em Francisco”. E assim todos saem perdendo.

Com a vitória do Fluminense, quem parece ter se perdido foi o técnico Fernando Diniz, do Vasco, que recuou mais uma vez em sua missão de devolver ao futebol brasileiro a primazia da técnica e da criatividade.

A imprensa destacou o desequilíbrio entre a força do ataque vascaíno e a fragilidade do sistema defensivo.

A direção, pressionada por Pedrinho, decidiu demitir Diniz, para tentar alcançar um novo perfil que traga maior equilíbrio à equipe. O clube, no momento, segue com um treinador interino, Bruno Lazaroni.

A janela de transferências estendida pode favorecer essa correção de rumo.

Fiquei impressionado ao assistir o jogo do sub-20 entre Vasco e Flamengo: time muito bem treinado, com linhas bem coordenadas, que culminaram no 4 a 1 dos cruzmaltinos, valorizando a base.

Isso desperta a curiosidade sobre concepções distintas entre os dois grandes rivais: priorizar a formação de jogadores desde a base ou contratar nomes consagrados.

O Globo Esporte lembrou que, se o Flamengo conquistar a Recopa Sul-Americana, Filipe Luís vai igualar número de títulos do lendário Carlinhos, o violino.

Filipe Luís, que chegou em 2024, é o segundo técnico mais vitorioso da história do clube. Carlinhos teve seis conquistas ao longo de sete passagens pelo rubro-negro, entre 1983 e 2000. Ele morreu em 2015.

Carlinhos, que era asmático, é a prova de que a qualidade técnica muitas vezes prevalece sobre a força física, tão exaltada neste momento.

Mesmo atuando como volante, ele equilibrava o ataque e a defesa atravessando o gramado do Maracanã como quem toca o instrumento que o marcou. E ele, na verdade, tocava mesmo era violão. Era um artista, na acepção mais pura da palavra.

Curioso é que hoje o Flamengo conte com jogadores no time principal cujas características lembram Carlinhos, como Carrascal e Pulgar.

Pessoalmente, tenho ainda outra lembrança de Carlinhos. Ele, juntamente com Silva, o Batuta, era nosso parceiro no Bloco da Chuva pelas ruas de Botafogo e Copacabana. Bons tempos aqueles. •

Publicado na edição n° 1402 de CartaCapital, em 04 de março de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A festa no esporte’

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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