Política

A avaliação dos brasileiros sobre o desfile que homenageou Lula no Carnaval, segundo a pesquisa Atlas

A escola trouxe críticas a setores conservadores da sociedade

A avaliação dos brasileiros sobre o desfile que homenageou Lula no Carnaval, segundo a pesquisa Atlas
A avaliação dos brasileiros sobre o desfile que homenageou Lula no Carnaval, segundo a pesquisa Atlas
Lula participou do desfile da Acadêmicos de Niterói – foto: Eduardo Hollanda/RioCarnaval
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A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, que trouxe dados sobre o cenário eleitoral e a avaliação do governo Lula, quis saber também a opinião dos participantes sobre o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o petista – e acabou rebaixada – no grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro. A polarização da sociedade brasileira, mais uma vez, ficou nítida.

Segundo o levantamento, 96,4% da população soube da homenagem feita pela escola ao atual presidente, sendo que 27,5% disseram ter assistido ao desfile (na íntegra ou a maior parte dele). Apenas 3,6% dos respondentes não ficaram sabendo.

Quando perguntados sobre o teor do desfile, os respondentes se dividiram. Enquanto 47,9% disseram que a homenagem está dentro da legalidade e faz parte da liberdade de expressão da escola; outros 45,4% afirmam que houve propaganda política antecipada, e defenderam punição pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Outros 6,8% não souberam responder.

A polarização política, como era de se esperar, fica clara nesse episódio. Entre os que afirmaram ter votado em Lula em 2022, 88% disseram não ver problemas na homenagem. Já entre os que declararam voto em Jair Bolsonaro, 96,3% afirmaram ter visto crime eleitoral.

A pesquisa perguntou também se os eleitores acreditam que o governo teve participação na elaboração dos elementos do desfile, como samba enredo, alegorias e fantasias. O número de pessoas que acreditam que isso não aconteceu é superior aos que apostam que houve interferência. Mas também são relevantes os percentuais de pessoas que disseram “talvez” ou não souberam responder.

Em outro item da pesquisa que demonstra o grau de cisão da sociedade brasileira, 46,7% disseram que o fato de Lula ter assistido o desfile presencialmente foi algo negativo. Para 41,7%, foi positivo, pois o evento é importante para a economia e a cultura do país. Enquanto isso, 8% disseram não ter avaliação nem positiva, nem negativa; e 3,6% não souberam responder.

A pesquisa quis saber, também, qual a resposta que Lula deveria ter dado à proposta de homenagem, quando a escola lançou o enredo. Enquanto 35,5% afirmaram que ele deveria ter recusado, outros 30,9% disseram que ele deveria ter aceitado e participado do evento (como fez). Para 29% Lula deveria ter aceitado, mas mantido distância da escola. E 4,6% não souberam responder.

‘Família em conserva’

Um dos momentos do desfile que mais repercutiram foi a ala que representava a “Neoconservadores em conserva”. Os integrantes vestiram fantasias que faziam referência a latas de alimentos em conserva (como ervilhas). O rótulo, porém, trazia uma ‘família tradicional’, com pai, mãe e filhos.

Ala ‘Neoconservadores em conserva’, da Acadêmicos de Niterói – imagem: reprodução

Segundo a justificativa apresentada pela escola de samba à organização dos desfiles, o grupo de pessoas autoproclamadas “conservadoras” atua em oposição a Lula, e passou a ser associada à extrema-direita.

Além das latas, adereços de cabeça dos integrantes faziam referências ao agronegócios, a pessoas das altas classes econômicas, defensores da ditadura e grupos religiosos evangélicos. A sátira se tornou combustível para reação da extrema-direita nas redes sociais.

Segundo o levantamento da Atlas, 60,6% das pessoas viram cortes ou comentários sobre essa ala específica após o desfile. Outros 26,7% disseram ter visto a apresentação ao vivo. Apenas 12,7% afirmaram não ter visto ou ouvido falar sobre.

Quando perguntados sobre como avaliam as fantasias da ala, mais uma vez houve uma divisão clara:

Por outro lado, 56,2% das pessoas que responderam à pesquisa disseram que não se sentiram ofendidas com a representação feita pela escola, contra 39,2% que disseram ter ficado “muito” ou “pouco” ofendidos – 4,6% não responderam.

Participaram da pesquisa 4.986 pessoas no Brasil. Os questionários foram respondidos pela internet entre os dias 19 e 24 de fevereiro. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos.

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