

Opinião
Está nascendo um novo líder
A Amazon supera o Walmart e vira o maior conglomerado dos EUA em vendas
O ecossistema dos negócios está em transformação. No ano passado, a Amazon tornou-se a maior empresa dos Estados Unidos em receita e suplantou o domínio de mais de uma década de um “dinossauro” da economia, o Walmart. A empresa de Jeff Bezos faturou em torno de 717 bilhões de dólares, número ligeiramente superior aos 713 bilhões registrados pela varejista tradicional.
Nos últimos 17 anos, a trajetória da Amazon foi marcada por um crescimento acelerado e diversificação agressiva dos negócios. De meados dos anos 2000, quando ainda era vista principalmente como uma livraria online ampliada, até este momento, a companhia expandiu o catálogo para praticamente todas as categorias de consumo, apoiada por uma rede logística própria e cada vez mais sofisticada. A receita anual saltou de pouco mais de 100 bilhões de dólares em 2015 para mais de 700 bilhões em 2025, impulsionada por sucessivos anos de crescimento de dois dígitos. Além do varejo, o conglomerado fez da computação em nuvem um dos seus principais motores financeiros, enquanto fortaleceu frentes como publicidade digital e serviços a vendedores terceiros.
O avanço simboliza uma profunda mudança de paradigma. O varejo deixou de ser dominado apenas por grandes redes de lojas físicas e passou a orbitar em torno de plataformas digitais integradas. A lógica de prateleiras e corredores cedeu espaço a algoritmos, marketplaces e assinaturas, que conectam milhões de consumidores e vendedores em tempo real, com oferta quase infinita de produtos. Enquanto o Walmart acelera a transformação digital e aposta em uma estratégia omnicanal para reduzir a distância, a Amazon mostra que o centro de gravidade do consumo migrou do espaço físico para o universo online, onde dados, logística e tecnologia definem quem lidera o jogo.
Let it go
A decisão da Nestlé de se desfazer da divisão de sorvetes e, em 2027, concluir a venda da divisão de águas, marca uma guinada estratégica importante para o grupo suíço. A empresa negocia a transferência dos negócios de sorvetes para a Froneri, especializada no segmento, e conduz um processo formal para se desfazer da unidade de águas e bebidas premium, que inclui marcas globais como Perrier, San Pellegrino e Acqua Panna, com negociação prevista para ser concluída até o fim de 2027. Os movimentos fazem parte de um plano de concentrar recursos em quatro pilares: café, snacks, pet care e nutrição, onde a companhia tem maior potencial de crescimento. Em negócios, foco tem valor. Ao reduzir o portfólio, a Nestlé vai garantir o share de atenção para os segmentos mais importantes.
Galpões cheios
O mercado brasileiro de aluguel de galpões industriais e logísticos segue aquecido. Pesquisa da Newmark sobre condomínios de alto padrão no País indica que, em São Paulo, principal polo do setor, o terceiro trimestre de 2025 foi positivo, com absorção bruta de 454 mil metros quadrados e absorção líquida de 351 mil, mesmo em um cenário de desaceleração da atividade industrial. O novo estoque entregue somou 232 mil metros quadrados no período e, ainda assim, a taxa de vacância recuou para 7,5%, patamar considerado saudável e compatível com um mercado em expansão. Os preços médios ficaram praticamente estáveis, em torno de 30 reais por metro quadrado ao mês, indicando que a demanda tem sido suficiente para sustentar os valores mesmo com a entrada de novos empreendimentos.
Tijolo por tijolo
A construção civil inicia 2026 com projeções de crescimento moderado, mas em trajetória de expansão sustentada. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção estima alta de 2% no PIB do setor neste ano, o que, se confirmado, marcará o terceiro ano consecutivo de avanço, após crescimento de 1,3% em 2025. Analistas destacam que a retomada é puxada pela combinação entre a queda gradual dos juros, orçamento recorde do FGTS para habitação, novos modelos de financiamento imobiliário e a continuidade dos investimentos em infraestrutura público-privados.
Projeções da FGV/Ibre apontam um cenário-base ainda mais favorável, com avanço de 2,7% no PIB da construção, podendo chegar a 3,4% em um quadro otimista, caso o crédito flua e os programas habitacionais ganhem tração. Na outra ponta, o setor segue pressionado por gargalos antigos, como carga tributária elevada, custo da mão de obra e falta de profissionais qualificados, além da incerteza fiscal. Mesmo assim, empresários veem em 2026 uma janela para consolidar a recuperação, apoiada pela demanda habitacional reprimida e pelo novo ciclo de obras estruturantes espalhadas pelo País. •
Publicado na edição n° 1402 de CartaCapital, em 04 de março de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Está nascendo um novo líder’
Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.
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