Do Micro Ao Macro
Saúde mental afastou 7 Maracanãs lotados de trabalhadores em 2025
Número de licenças por transtornos mentais alcança patamar recorde, enquanto empresas correm para cumprir novas regras da NR-1 até maio.
A saúde mental levou 546 mil trabalhadores a se afastarem do trabalho em 2025, segundo dados do Ministério da Previdência Social divulgados pelo G1. As licenças foram concedidas por transtornos como ansiedade, depressão e burnout.
O volume equivale a sete estádios do Maracanã lotados. Considerando a capacidade oficial de cerca de 78 mil pessoas, o cálculo ajuda a dimensionar o impacto humano e econômico dos afastamentos ao longo do ano.
Além disso, o número supera marcas da última década e reforça a escalada dos transtornos psíquicos no ambiente corporativo. Diferentemente de acidentes físicos, os casos envolvem sofrimento emocional acumulado.
Saúde mental no trabalho
Enquanto os afastamentos crescem, empresas enfrentam mudanças regulatórias. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 amplia o conceito de risco ocupacional e inclui fatores psicossociais.
Com isso, organizações precisam identificar e registrar situações como sobrecarga, pressão por metas, assédio e falhas de gestão. A regra vale para empresas de todos os portes.
NR-1 e riscos psicossociais
O Ministério do Trabalho e Emprego estabeleceu prazo até 26 de maio para adequação. A partir dessa data, o descumprimento pode gerar multas e outras sanções administrativas.
Na prática, a NR-1 exige que riscos psicossociais integrem o Programa de Gerenciamento de Riscos. Isso inclui monitoramento contínuo e documentação formal das ocorrências.
Especialistas apontam que a omissão nesses pontos contribui para o avanço dos afastamentos. Muitas vezes, o desgaste só recebe atenção quando já resultou em licença médica.
Canal de acolhimento e prevenção
Nesse contexto, ferramentas de escuta estruturada ganham espaço. A Contato Seguro defende a adoção de Canal de Acolhimento para registrar relatos e mapear padrões internos.
Segundo a empresa, o sistema permite gerar indicadores e fornecer dados auditáveis às áreas de Recursos Humanos. Dessa forma, a companhia passa a acompanhar riscos antes que evoluam para afastamentos prolongados.
Além disso, o acompanhamento estatístico pode orientar intervenções preventivas. A lógica é reduzir absenteísmo e atestados médicos antes que se convertam em licenças previdenciárias.
O avanço da saúde mental como tema regulatório e econômico impõe às empresas a revisão de práticas internas, sob risco de ampliar custos trabalhistas e impactos jurídicos.
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