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Cuba sobe o tom contra os EUA e acusa governo Trump de querer provocar ‘catástrofe humanitária’ na ilha
Bruno Rodríguez, chanceler da ilha, foi quem denunciou as ações do governo norte-americano durante uma reunião de países realizada em Genebra
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou nesta segunda-feira 23, em Genebra, que a “escalada agressiva” dos Estados Unidos contra a ilha visa provocar “uma catástrofe humanitária” no país.
Nas últimas semanas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou o embargo contra Cuba — em vigor desde 1962 — e pressionou outros países, incluindo a Venezuela, a interromper o envio de petróleo.
Também fragilizada pelo fim do fornecimento de petróleo de Caracas, Cuba enfrenta uma grave escassez de combustível e apagões.
Os Estados Unidos “estão impondo um bloqueio energético e pretendem criar uma catástrofe humanitária, usando como pretexto a absurda alegação de que Cuba constitui uma ameaça incomum e extraordinária à sua segurança nacional”, declarou o chanceler na Conferência sobre Desarmamento, em Genebra.
O ministro denunciou “ações criminosas e ilegais que constituem uma punição coletiva implacável contra o povo cubano”.
No final de janeiro, um decreto assinado por Trump classificou a ilha como uma “ameaça extraordinária” aos Estados Unidos.
“Cuba não representa uma ameaça para os Estados Unidos nem para qualquer outro país”, insistiu o chanceler cubano, afirmando que seu país não adota “políticas com o objetivo declarado de dominação, nem é um país que mobiliza forças militares e viola a soberania e a integridade territorial de outros Estados”.
“Permanecer impassível diante dessas tentativas de impor uma tirania global coloca todos os Estados em risco, sem exceção”, afirmou.
Bruno Rodríguez também discursou para o Conselho de Direitos Humanos da ONU, reunido nesta segunda-feira em Genebra, e afirmou que “impediremos uma crise humanitária em Cuba, mesmo que isso nos custe caro em termos de penalidades e sofrimentos”.
Na semana passada, o presidente americano chamou Cuba de “país falido” e instou o país a chegar a um acordo, rejeitando a ideia de uma operação para derrubar o regime.
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