Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Augusto Diniz | Música brasileira
Criador do Bangalafumenga, Rodrigo Maranhão diz que ir às ruas no Carnaval foi escolha de uma geração
Fundador do bloco em 1998, o músico se destacou depois como compositor e lançou seis discos, sendo o último no início deste ano
O cantor, compositor e instrumentista Rodrigo Maranhão lançou no início deste ano seu sexto álbum, intitulado O Amor e o Tempo. O trabalho mostra um músico com domínio da arte de compor. Não à toa já foi gravado por Zélia Duncan, Roberta Sá, Mart’nália e Fernanda Abreu.
Maria Rita ganhou um Grammy Latino em 2006 com uma canção de Maranhão, Caminho das Águas. No ano seguinte, ele gravaria seu primeiro álbum solo, Bordado.
Rodrigo Maranhão é da geração que participou ativamente do renascimento do carnaval de rua no Rio de Janeiro, no final dos anos 1990. Em 1998 ele fundaria o Bangalafumenga. Naquela época, outros blocos se formariam na cidade dando novo vigor à folia na cidade, como o Cordão do Boitatá e o Monobloco.
O músico acredita que sua geração, que inclui artistas do Rio como Teresa Cristina, Nilze Carvalho e Pedro Miranda, enfrentou um período de transição na indústria fonográfica, o que exigiu criar novas formas de atuação na música.
“A gente pegou o fim do boom das gravadoras. Na hora que a gente foi brincar, tinha bagunçado todo o tabuleiro. Por isso minha geração fez tanta coisa na rua”, explica. “Chegamos na hora que a indústria estava quebrando e a MPB acabou. Isso deixou a gente perdido”.
Apesar das dificuldades, Maranhão ressalta que a geração dele está hoje ainda bem ativa. Ele próprio é um exemplo disso, com seu mais novo álbum.
O Amor e o Tempo, com 10 faixas, tem a participação de Mart’nália e Chico Chico. O disco conta com parceiras musicais com artistas de sua geração, como Gabriel Moura, João Cavalcanti, Moyseis Marques, Zé Paulo Becker e Pretinho da Serrinha – este último também responsável por toda a percussão do álbum.
“É um retorno ao disco totalmente autoral. A partir de um período de minha carreira como músico eu acabei abandonando esse lado”, diz. Ele destaca ainda que o álbum reflete uma fase musical mais madura. A produção é de João Viana.
O trabalho tem forte acento do samba, mas ele faz questão de dizer que não é um sambista raiz. “Mas o samba está muito presente na minha vida”, ressalta.
Assista à entrevista de Rodrigo Maranhão a CartaCapital:
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