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Na Índia, Lula cobra regulação das big techs e aponta riscos do uso de IA nas eleições
O presidente brasileiro participou, nesta quinta-feira, de uma cúpula dedicada a discutir o impacto da tecnologia ao redor do mundo
O presidente Lula (PT) voltou a cobrar, nesta quinta-feira 19, a regulação das chamadas big techs, grandes empresas responsáveis por plataformas de comunicação e redes sociais. Segundo o petista, a falta de regras rígidas para o setor prejudica os direitos humanos e afeta a integridade da informação e as indústrias criativas.
“O modelo atual de negócios dessas empresas depende da exploração de dados pessoais, da renúncia do direito à privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política”, destacou Lula em um discurso lido na abertura da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial (IA), realizada em Nova Delhi, na Índia.
“O regime de governança dessas tecnologias definirá quem participa, quem é explorado e quem ficará à margem desse processo”, alertou Lula ao pedir que a discussão global seja travada na ONU. “Colocar o ser humano no centro das nossas decisões é tarefa urgente”, concluiu o brasileiro sobre o tema.
Os riscos da IA
O discurso lido nesta quinta-feira também fez um breve alerta sobre os potenciais riscos da inteligência artificial. Para Lula, o uso indevido da tecnologia pode afetar processos eleitorais e, consequentemente, enfraquecer democracias.
“Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital, são parte de uma complexa estrutura de poder”, afirmou antes de também cobrar uma regulação do setor. “Sem ação coletiva, a Inteligência Artificial aprofundará desigualdades históricas.”
Lula está em Nova Delhi para discutir, além da IA, as terras raras, setor considerado estratégico para os mercados de tecnologia e militar. No país, o presidente também deve tratar da abertura de novos mercados para produtos agropecuários brasileiros e participar da assinatura de uma parceria da Embraer no setor de aviação.
Depois da Índia, a expectativa é de que Lula seguirá para a Coreia do Sul, onde também será acompanhado por ministros e empresários para tratar da ampliação do comércio bilateral.
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