Política
Paes mira eleitorado evangélico e deve escolher vice ligada à Assembleia de Deus no Rio
Anúncio da advogada Jane Reis como companheira de chapa deve acontecer nesta quinta-feira, em cerimônia que oficializará aliança com o MDB
Em uma tentativa de ampliar o apoio do segmento evangélico nas eleições deste ano, o prefeito Eduardo Paes (PSD) escolheu como vice da sua chapa ao governo do Rio de Janeiro uma advogada do MDB ligada à Assembleia de Deus. A expectativa é que o anúncio de Jane Reis como postulante à vaga aconteça nesta quinta-feira 19.
A aliança com Jane só foi possível após a desistência de Washington Reis (MDB), que almejava concorrer ao Palácio da Guanabara em outubro, mas enfrenta uma batalha judicial para recuperar sua inelegibilidade. O processo teve sua análise postergada na semana passada com um pedido de vista do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal. Após avaliar que poderia ficar fora das urnas mais uma vez, como em 2022, Reis articulou a indicação da irmã.
De acordo com relatos à reportagem, o cacique emedebista sugeriu primeiro o nome do deputado estadual Rosenverg Reis, seu outro irmão. Mas o prefeito sinalizou ter interesse por uma mulher para a vaga, o que dialoga com o eleitorado feminino. Com entrada na Baixada Fluminense, Jane é casada com um pastor da Assembleia de Deus, tia do prefeito de Duque de Caxias, Netinho Reis, e foi candidata a prefeita de Magé em 2020, ficando em terceiro lugar, com 15 mil votos.
Desde o ano passado, Paes tem feito acenos ao segmento evangélico. Em dezembro, por exemplo, o pessedista marcou presença na inauguração do primeiro batistério público do Rio. O evento ocorreu no mesmo local onde nasceu a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada pelo bispo e empresário Edir Macedo nos anos 1970. Na ocasião, ele destacou que a cidade é “um lugar de fé” e afirmou que sua escolha “sempre será seguir a palavra de Jesus Cristo”.
Antes disso, a prefeitura havia liberado 1,9 milhão de reais em patrocínio para a realização da Marcha para Jesus, além de 350 mil reais ao JA de Verão 2025, promovido pela Igreja Adventista. Os gestos fizeram o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas acionar o Ministério Público Federal contra Paes, acusando-o de favorecer de forma desproporcional o público evangélico.
Para o entorno de Paes, a chegada da família Reis ao seu arco de alianças contribui para alargar seu palanque e, consequentemente, afastar a pecha de “candidato lulista”. Washington, que preside o diretório estadual do MDB, tem trânsito em setores do bolsonarismo e chegou a fazer parte do governo Cláudio Castro (PL) até o ano passado, quando foi demitido da secretaria estadual de Transportes. Desde então, os dois se afastaram.
O apoio do prefeito a Lula, contudo, está mantido, dizem aliados. Com o encaminhamento da vice, o prefeito acertou em ceder aos petistas uma das vagas do Senado em sua chapa, que será da deputada federal Benedita da Silva. O outro posto será utilizado para atrair outros partidos.
Levantamento divulgado em dezembro pelo Real Time Big Data aponta que Paes lidera todos os cenários da disputa no Rio e poderia ganhar no primeiro turno. Além dele, devem concorrer ao governo estadual Wilson Witzel (sem partido), Renato Cozzolino (Democracia Cristã), Rafael Luz (Missão) e Ítalo Marsili (Novo).
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Escola que homenageou Lula é rebaixada no Carnaval do Rio; Viradouro vence
Por CartaCapital
O novo passo de Eduardo Paes rumo à candidatura ao governo do Rio
Por Vinícius Nunes



