Política
A comemoração de bolsonaristas ao rebaixamento da escola de samba que homenageou Lula
A agremiação terminou a apuração desta quarta-feira 18 na 12ª colocação, com 264,6 pontos
Lideranças do bolsonarismo ironizaram, nesta quarta-feira 18, o rebaixamento para o grupo de acesso da Acadêmicos de Niterói, escola de samba do Rio de Janeiro que este ano homenageou o presidente Lula (PT) na Sapucaí. Estreante no Grupo Especial do Carnaval carioca, a agremiação terminou a apuração desta quarta-feira 18 na 12ª colocação, com 264,6 pontos, e retornará à Série Ouro em 2026. A vencedora, Unidos do Viradouro, conquistou o título com 270 pontos.
Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o petista “é sempre uma ideia ruim, seja para governar o País, seja para um samba enredo”. Seu irmão, o vereador do Rio Carlos Bolsonaro chamou o rebaixamento de “derrota humilhante”.
Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) disse que o revés para a escola demonstraria “como Lula está afundando o Brasil”. Sergio Moro (PR), ex-juiz da Lava Jato e senador pelo União Brasil, compartilhou uma notícia sobre o rebaixamento e escreveu: “presságio”.
Já o líder do PL no Senado, Rogério Marinho (RN), declarou que a “tentativa de transformar o Carnaval em palanque para prestigiar o governo atual acabou recebendo a resposta mais simbólica possível”.
Outros que comemoraram o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói foram os deputados federais Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Filipe Barros (PL-PR). “A lei de causa e efeito não falha”, completou Carlos Jordy, outro parlamentar do PL cujo reduto eleitoral é Niterói.
A escola de samba recebeu pouquíssimas notas dez nos nove quesitos avaliados — sendo apenas duas notas máximas especificamente no critério samba-enredo. Neste ano, a agremiação levou à Sapucaí o enredo Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil, composto pelo carnavalesco Tiago Martins, e levou para a avenida alegorias que representavam o presidente e sua trajetória política. Também direcionou críticas a Bolsonaro: em um dos carros, ele foi retratado como um “bozo” que ria diante de cruzes — referência às mortes por Covid-19. E, em outra alegoria, apareceu atrás das grades.
Antes mesmo da apuração, a direção da escola divulgou nota afirmando ter sido alvo de perseguições durante o processo de preparação para o carnaval devido ao enredo escolhido. Após o anúncio do rebaixamento, nesta quarta, a agremiação fez uma publicação nas redes sociais onde agradeceu a participação da comunidade, e destacou, em texto: “A arte não é para os covardes”.
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