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Gerador portátil para carro elétrico existe? O que dá para levar no porta-malas
O mercado de carros elétricos e híbridos cresce no Brasil, e com um País continental, viajar muitas vezes exige mais de uma recarga no caminho. ToqueTec pesquisou geradores portáteis e sua adequação para os EVs. Mas a questão é se o objetivo é recarregar completamente […]
O mercado de carros elétricos e híbridos cresce no Brasil, e com um País continental, viajar muitas vezes exige mais de uma recarga no caminho. ToqueTec pesquisou geradores portáteis e sua adequação para os EVs. Mas a questão é se o objetivo é recarregar completamente a bateria ou uma carga mínima para chegar a um ponto fixo de atendimento. A necessidade define a resposta.
Existe um gerador capaz de carregar um carro elétrico ou híbrido?
Sim, mas em formatos específicos para cada necessidade. Primeiro é preciso conhecer os modelos de geradores. Aqui vai uma síntese:
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Gerador a combustível + carregador portátil (EVSE): é o gerador tradicional (gasolina/diesel/GNV) alimentando o carregador portátil do carro. Esse carregador vem com os modelos e você deve ter o cuidado de usar somente marcas homologadas pelo fabricante. Funciona em alguns cenários, mas é comum haver incompatibilidades por qualidade da energia (onda) e por aterramento/“neutro” do gerador.
Há relatos e guias técnicos apontando que muitos carros rejeitam a carga quando não detectam terra adequada ou quando a forma de onda não é “limpa”, especialmente com geradores/inversores de onda não senoidal pura. Assim, antes de comprar, você tem que ler as especificações e a recomendação é conversar com um especialista da marca em uma concessionária.
Power station (bateria portátil grande): parece um gerador, mas é uma bateria com inversor AC (tomadas). Ela pode alimentar um carregador portátil do carro, só que a limitação aqui é matemática: a capacidade típica dessas unidades é de alguns kWh, enquanto um carro elétrico costuma ter dezenas de kWh. Ou seja, tende a servir para ganhar poucos quilômetros e sair do aperto, não para fazer o carregamento completo. Então, se você está há alguns km de seu destino, ele pode ajudar a chegar. Tem um caráter muito mais emergencial.
Carregador móvel de grande porte): existe como conceito comercial em alguns mercados, inclusive com reboques que funcionam como extensor e/ou carregador móvel, entregando AC e até DC em padrões como CCS/CHAdeMO, com propostas de uso sob demanda. É a solução mais próxima de um posto itinerante, mas não é o tipo de equipamento pequeno para deixar no porta-malas. O serviço já existe em mercados mais maduros e, certamente, em um período próximo, seguradoras disponibilizam esses equipamentos para situações de emergência
E os híbridos? Para híbridos, a ideia já está embutida: o motor a combustão e o sistema do veículo geram energia conforme o projeto em híbridos plenos e em parte dos híbridos série.
Power station são os modelos ideais
Esses modelos carregam diretamente na tomada de casa. São estações de armazenamento de eletricidade que podem ser carregadas na rede comum. Em alguns casos podem utilizar inclusive o alternador de carros a combustão. Mas fazer isso exige conhecimento de um especialista.
Uma alternativa é a utilização de energia solar. A marca EcoFlow, por exemplo, comercializa adaptadores para carregar sua estação em pontos AC de recarga de EV (invertendo o fluxo do carregador do posto para a power station).
O ponto crítico: carregar uma power station para depois carregar o carro é um “duplo caminho” e custa tempo. Na prática, ela faz mais sentido como uma solução de emergência. Veículos como ambulâncias podem usar como equipamento de segurança.
O que um gerador precisa ter para carregar veículo elétrico sem dor de cabeça
Especificações mínimas do gerador
- Potência contínua: Para carga bem lenta (modo emergência): geradores na faixa de 1.000 – 3.000 W podem alimentar alguns EVs em 120/220 V, desde que a corrente seja limitada.
- Para uso prático: recomenda-se pelo menos 3,5–4,5 kW contínuos para cerca de 3,3–3,6 kW de carga, deixando 20–25% de folga para picos. Alguns fabricantes sugerem 10 kW ou mais para recarga mais eficiente e estável, especialmente em 240 V.
- Tensão e forma de onda: preferível gerador com saída estável em 220–240 V e onda senoidal “pura” para não prejudicar a eletrônica do carregador do veículo.
- Sobra de potência: o gerador deve ser dimensionado acima da potência que o EV vai puxar (folga de 20–25%) para evitar sobrecarga e desligamentos. Se o carregador portátil do seu carro puxa 3,6 kW em 220 V (16 A), o ideal é um gerador de ~4,5 kW contínuos, com onda senoidal e uso exclusivo para o carro.
Como fazer a conexão
Usar sempre o EVSE apropriado. Nunca conecte o gerador diretamente aos pinos de carga do carro. Use o carregador portátil original (ou um EVSE portátil certificado) que vá do gerador a uma tomada padrão ou conector CEE, e daí ao carro.
Faça a sequência correta. Coloque o gerador em área externa, firme e seca. Conecte cabos de aterramento e proteção (RCD/disjuntor diferencial) entre gerador e EVSE, conforme orientações do equipamento. Ligue o EVSE ao gerador. Dê partida no gerador, espere estabilizar a tensão e a frequência. Conecte o cabo do EVSE ao carro e aguarde os controles automáticos do EVSE; somente então a carga inicia.
Outra dica útil é fazer o ajuste da corrente elétrica. Se o EVSE permite ajuste, limite a corrente (por exemplo, 6–10 A em 220 V) para ficar bem abaixo da potência máxima do gerador e evitar quedas de tensão.
Segurança: pontos críticos que você precisa cuidar.
- Monóxido de carbono: gerador sempre ao ar livre, longe de janelas, portas e áreas fechadas. Monóxido de Carbono é um risco elevado em ambientes fechados e sem ventilação.
- Risco elétrico: use cabos certificados, com bitola adequada, sem emendas improvisadas, e proteção RCD. Não opere em piso molhado nem com conexões expostas.
- Combustível e calor: mantenha o gerador longe do carro, de galões de combustível e de materiais combustíveis. não abasteça o gerador com motor quente ou em funcionamento.
- Sobrecarga: monitorar o gerador (sons de esforço, aquecimento, quedas de rotação). Se ele estiver no limite, reduza corrente ou interrompa a carga.
- Compatibilidade com o EV: alguns carros simplesmente recusam carga se detectarem oscilação de tensão/frequência ou falta de aterramento adequado. Nesse caso não pense em traquitanas ou soluções mágicas. Parta para outra solução.
Mas, qual o ganho real?
Se você conseguir 2 kW de carga efetiva durante 2 horas, isso dá 4 kWh. Em muitos EVs, isso representa algo como 15–25 km de autonomia adicional, dependendo do consumo (por exemplo, 16–25 kWh/100 km).
Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec
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