Mundo

Obama lamenta falta de ‘vergonha’ após vídeo racista compartilhado por Trump

Questionado sobre o vídeo, Obama respondeu, sem mencionar Trump, que a maioria dos americanos “considera esse comportamento profundamente preocupante”

Obama lamenta falta de ‘vergonha’ após vídeo racista compartilhado por Trump
Obama lamenta falta de ‘vergonha’ após vídeo racista compartilhado por Trump
O presidente dos EUA Barack Obama disse que relatório é "perturbador"
Apoie Siga-nos no

O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, criticou, no sábado 14, a falta de “vergonha” na política de seu país, ao responder pela primeira vez à publicação, em uma conta de rede social de Donald Trump, de uma imagem que o retratava, assim como sua esposa Michelle Obama, como macacos.

O vídeo, compartilhado em 5 de fevereiro na conta de Trump em sua rede Truth Social, foi condenado por todo o espectro político americano. Inicialmente, a Casa Branca rejeitou a “falsa indignação”, mas depois atribuiu a publicação a um erro de um assessor e a retirou.

Ao final de um vídeo de um minuto que promovia teorias conspiratórias sobre a derrota eleitoral de Trump em 2020 diante de Joe Biden, os Obama – os primeiros presidente e  primeira-dama negros da história dos Estados Unidos – apareciam com seus rostos sobre corpos de macaco por aproximadamente um segundo.

Questionado sobre o vídeo, Obama respondeu, sem mencionar Trump, que a maioria dos americanos “considera esse comportamento profundamente preocupante”.

“Há uma espécie de espetáculo circense nas redes sociais e na televisão, e a verdade é que não parece haver qualquer tipo de vergonha a esse respeito entre pessoas que antes sentiam que era preciso ter certo decoro e senso de correção e respeito pelo cargo, não é? Isso se perdeu”, afirmou.

Obama previu que esse tipo de mensagem prejudicará os republicanos de Trump nas eleições de meio de mandato do próximo mês de novembro e que, “em última instância, a resposta virá do povo americano”.

Trump declarou a jornalistas que mantém as afirmações do vídeo sobre a suposta fraude eleitoral, mas que não havia visto as imagens ofensivas do final.

Quanto às políticas do atual presidente, Obama criticou sua repressão migratória em Minnesota e censurou a conduta dos agentes de imigração durante a operação polêmica que durou várias semanas.

Obama classificou o comportamento dos agentes federais – que incluiu disparos fatais – como o tipo de conduta que “no passado vimos em países autoritários e em ditaduras”.

Milhares de agentes federais, incluindo os do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), realizaram semanas de operações e detenções em massa no que a administração Trump classifica como missões direcionadas contra criminosos.

“O comportamento negligente dos agentes do governo federal é profundamente preocupante e perigoso”, afirmou Obama. No entanto, acrescentou que encontrou esperança nas comunidades que se opõem a essas operações.

“Não apenas de forma aleatória, mas de maneira sistemática e organizada, há cidadãos que dizem: ‘Este não é o país em que acreditamos e vamos lutar, e vamos responder com a verdade, com câmeras e com protestos pacíficos'”, declarou.

“Esse tipo de comportamento heroico e sustentado sob temperaturas abaixo de zero por parte de pessoas comuns é o que deve nos dar esperança. Enquanto tivermos pessoas fazendo isso, sinto que superaremos isso”, assegurou.

A operação agressiva de anti-imigração em Minnesota provocou grandes protestos e indignação em todo o país.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) foi afetado por uma paralisação parcial do governo neste sábado, enquanto legisladores americanos discutiam o financiamento da agência, que supervisiona grande parte da campanha de Trump contra a imigração.

Os democratas se opõem a qualquer novo financiamento do DHS até que sejam implementadas mudanças significativas na forma como o ICE conduz suas operações.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo