Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Trabalhamos o ano todo para mostrar no Carnaval que estamos vivos, diz mestre de maracatu

André de Lila comanda a apresentação do Estrela da Serra, na capital do maracatu rural em Pernambuco

Trabalhamos o ano todo para mostrar no Carnaval que estamos vivos, diz mestre de maracatu
Trabalhamos o ano todo para mostrar no Carnaval que estamos vivos, diz mestre de maracatu
Foto: Josué Santana
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O mestre do apito é o personagem central do maracatu rural ou do baque solto, responsável pelo canto das loas (versos) durante a apresentação no Carnaval.

André de Lila é mestre do apito do Maracatu Estrela da Serra, do povoado de Açudinho, na área rural de Tracunhaém, município pernambucano na chamada Zona da Mata Norte. O grupo desfila no Carnaval na vizinha Nazaré da Mata, capital brasileira do maracatu rural. 

Na segunda-feira 16, o Estrela da Serra se apresentou no encontro dos maracatus em frente à catedral de Nazaré da Marta.

Antes do desfile, Lila falou com orgulho de comandar a nação (maracatu). “Vivemos o ano todo trabalhando para quando chegar o Carnaval, dizermos que estamos vivos, que o maracatu não morreu.” 

O mestre conta que os preparativos para o Carnaval envolvem a luta para superar dificuldades financeiras. Segundo ele, roupas, fantasias e indumentárias do maracatu custam caro.

O maracatu de baque solto é reconhecido pela riqueza das vestimentas de seus personagens, como o icônico caboclo de lança, o caboclo de pena (ou arreimá) e as baianas.

O avô de André de Lila desfilou por 50 anos como caboclo de lança, e seu tio foi mestre de maracatu. Em 2000, Lila se tornou mestre mirim de maracatu e há nove anos está à frente do Estrela de Serra.

Sobre as loas cantadas no desfile, algumas de improviso, André de Lila diz ter se atualizado para trazer temas políticos e de futebol para o cortejo. “É isso que o público quer ouvir do mestre do apito”, avalia.

Os versos são cantados no Carnaval nas modalidades de marcha, samba e galope, entre outros. Mas são os brincantes (foliões) que, para André, dão brilho à festa, dedicando o ano inteiro à confecção de suas fantasias. “Os brincantes participam de uma forma efetiva e engajada para chamar à atenção no Carnaval”, resume. “A gente carrega esse legado. Motivo de satisfação não só para mim, mas para todos os brincantes.”

Salve o Carnaval dos maracatus!

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