Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

Augusto Diniz | Música brasileira

Carnaval não é só espaço de festa, mas de reflexão cultural e política

Discursos contra-hegemônicos de escolas de samba têm um importante efeito simbólico, diz socióloga

Carnaval não é só espaço de festa, mas de reflexão cultural e política
Carnaval não é só espaço de festa, mas de reflexão cultural e política
Foto: RioTur
Apoie Siga-nos no

A construção de enredos políticos progressistas em um sistema socioeconômico conservador revela ousadia, capacidade e influência de profissionais do Carnaval dispostos a agir no campo contra-hegemônico. A avaliação é da mestre em Sociologia Política pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Bruna Tavares, que concentra seus estudos na análise crítica dos discursos carnavalescos.

Segundo ela, o Carnaval é frequentemente associado a um espaço de festa e celebração popular, mas se revela também como um campo privilegiado para a reflexão intelectual, cultural e política

A socióloga abordou o assunto em um extenso artigo publicado na última edição da revista Educação Popular, da Universidade Federal de Uberlândia, intitulado A Intelectualidade e a Festa.

O texto foca nos temas levantados pelas escolas de samba na avenida, mas pode se aplicar aos blocos de rua que evocam processos históricos e identitários frequentemente marginalizados pelas narrativas oficiais.

O destaque do artigo é Leandro Vieira no papel de observador e intelectual da manifestação popular. O carnavalesco da escola de samba Imperatriz Leopoldinense nasceu no subúrbio do Rio de Janeiro e se formou em Pintura pela Escola de Belas Artes da UFRJ. 

Tavares ressalta a capacidade de Vieira na construção de elementos cênicos a partir dos enredos, estimulando o debate de assuntos que ultrapassam a festa do Carnaval.

Conduzido por Vieira, o enredo História para Ninar Gente Grande, da escola de samba Mangueira em 2019, é o maior exemplo nos últimos tempos desse diálogo simbólico com a realidade social e seus efeitos. O samba-enredo foi identificado como um canto de resistência e como “samba da Marielle”. 

Bruna Tavares analisa há anos a cultura popular como instrumento de denúncia e resistência. Para ela, a apresentação de uma escola de samba pode significar uma nova proposta narrativa estética e discursiva para pensar a sociedade.  

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo