CartaExpressa
Moraes nega TV a cabo para Braga Netto na prisão
O ministro afirmou que não há previsão legal que assegure ao preso o direito à posse ou instalação de equipamentos eletrônicos, como uma TV a cabo
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, barrou o pedido da defesa do general Walter Braga Netto para instalação de TV a cabo na cela em que cumpre pena por participação na trama golpista de 2022. Em decisão assinada nesta quinta-feira 12, o magistrado também pediu mais informações sobre a solicitação dele para ingressar no programa de remição de pena por estudo.
Ao requer a TV, os advogados sustentaram ser direito dos presos se manterem vinculados à realidade social, afirmando não haver nenhuma lei que o impedisse de acompanhar notícias. As despesas com contratação, instalação e manutenção dos equipamentos, segundo a defesa.
Para o ministro do STF, no entanto, a Lei de Execução Penal “assegura ao preso direitos compatíveis com a condição de privação de liberdade”, mas eles não são absolutos. “Devendo ser exercidos nos limites impostos pela disciplina, pela segurança do estabelecimento prisional e, sobretudo, pela finalidade ressocializadora da pena. Não há qualquer previsão legal que assegure ao preso o direito à posse ou instalação de equipamentos eletrônicos, como no caso de TV a cabo“, escreveu Moraes.
Sobre o programa de remissão de pena, o magistrado destacou que a defesa não teria sinalizado qual curso de interesse de Braga Netto. No pedido, os defensores pontuaram apenas que o militar gostaria de matricular em uma faculdade com ensino à distância. Por isso, o relator pediu que os advogados apresentem essa informação em cinco dias.
Na mesma decisão, Moraes autorizou visitas de familiares, um coronel do Exército e do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) ao preso. Braga Netto está detido desde dezembro de 2024 em unidade militar do Exército no Rio de Janeiro.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.



