Educação

MP contesta na Justiça o modelo cívico-militar de Tarcísio em São Paulo

A ação ocorre após a revelação de que monitores militares ministraram atividades em sala de aula

MP contesta na Justiça o modelo cívico-militar de Tarcísio em São Paulo
MP contesta na Justiça o modelo cívico-militar de Tarcísio em São Paulo
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o secretário de educação, Renato Feder. Créditos: Flávio Florido/EducaçãoSP
Apoie Siga-nos no

O Ministério Público e a Defensoria Pública de São Paulo protocolaram uma ação judicial contra a execução do programa de escolas cívico-militares do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), em vigor desde 3 de fevereiro. A lei que institui o modelo também é alvo de contestações no Supremo Tribunal Federal.

A nova ação se baseia em notícias veiculadas na semana passada sobre a presença de militares na sala de aula em uma escola cívico-militar de Caçapava. Apesar das imagens e dos vídeos, a Secretaria de Educação sustentou que os militares “não atuam a serviço da instituição”. Para o MP e a Defensoria, o episódio demonstra que os fardados “se vincularam às atividades dos professores, interagindo diretamente com os alunos em sala de aula”.

O MP também aponta que houve uma ampliação da atuação dos monitores militares, mesmo que o regimento do programa os apresente como parte do apoio organizacional e de segurança, responsáveis por atividades extracurriculares de “natureza cívico-militar”.

Conforme lei aprovada em 2025, compete à Secretaria de Educação zelar pelas competências pedagógicas nas escolas, enquanto a Secretaria de Segurança Pública é responsável por fiscalizar as atividades dos monitores militares, informando sobre seus comportamentos e eventuais processos criminais ou administrativos.

O MP e a DPU argumentam, porém, que os monitores receberam o poder de fiscalizar o uso do uniforme, os cortes de cabelo e a aparência de estudantes, aplicando avaliações a eles. Os órgãos identificam um “forte constrangimento” aos alunos.

A imposição de um padrão estético, prossegue a ação, tem um impacto desproporcional sobre estudantes negros, uma vez que os cortes de cabelos curtos ou a manutenção de cabelos presos podem impedir expressões identitárias e caracterizar racismo indireto.

A ação requer a suspensão das ações do regimento e de seus anexos por violação ao princípio da legalidade e aos direitos da criança e do adolescente. O caso em São Paulo tramita simultaneamente à análise de ações sobre o tema pelo STF.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo