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STJ/ Mete o atestado

Acusado de assédio sexual, Marcos Buzzi tira licença médica, mas acaba afastado pelos pares

STJ/ Mete o atestado
STJ/ Mete o atestado
Imagem: Rafael Luz/STJ
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Enquanto o STF está às voltas com o debate acerca da adoção de um código de ética, o Superior Tribunal de Justiça se vê diante de uma acusação grave contra um de seus integrantes. Acusado de assediar a filha de 18 anos de um casal de amigos durante uma estadia­ em Balneário Camboriú, o juiz Marcos ­Buzzi pediu uma licença médica psiquiátrica de 90 dias para “tratamento com ajuste medicamentoso”. Segundo o laudo, Buzzi é “portador de patologias cardiológicas comórbidas”. Não deu certo. Na terça-feira 10, o juiz foi afastado do cargo por decisão unânime dos pares. O pedido de licença coincidiu com a denúncia de uma suposta segunda vítima de importunação, que prestou depoimento à Corregedoria Nacional de Justiça na segunda-feira 9. Em carta aos colegas de Corte, o juiz se defendeu. “De modo informal”, escreveu, “soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio. Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência. Creio que nos procedimentos já instaurados demonstrarei minha inocência.”

Perrengue na Ucrânia

O produtor musical Marcos Souto ao menos voltou vivo para contar as agruras no campo de batalha. Outros brasileiros que se aventuraram, por dinheiro ou ideologia, na defesa da não tiveram a mesma sorte. O relato de Souto serve de alerta aos desavisados. Primeiro, em relação ao pagamento. “Falaram que o salário era 50 mil por mês. A gente entende isso como em reais. Mas eram 50 mil grívnias, o que dava cerca de 5,8 mil.” Depois, sobre a autonomia: “Quem tenta fugir, se for pego, é preso e torturado”. Souto, como vários dos compatriotas, não tinha experiência militar e viu-se obrigado a lidar com a disciplina, ou violência, do comando ucraniano.

São Paulo/ O “sucesso” de Nunes

O Prefeito minimiza a superlotação do pré-carnaval, o MP investiga

A falta de planejamento atrapalhou a diversão – Imagem: Felipe Marques/Zimel Press/Estadão Conteúdo

O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito preliminar para apurar as responsabilidades no tumulto provocado na Rua da Consolação no pré-carnaval da capital. Dois blocos, o Skol, comandado pelo DJ escocês Calvin Harris, e o tradicional Acadêmicos do Baixo Augusta, desfilaram no mesmo local e praticamente na mesma hora. A superlotação provocou tumultos e brigas. Foliões foram obrigados a arrebentar as grades de proteção para não serem esmagados na confusão. Apesar do incidente, o prefeito Ricardo Nunes comemorou em entrevista à ­Globonews. “Se considerarmos a quantidade de pessoas e as poucas ocorrências”, afirmou, “a conclusão é que foi um sucesso.” O governador Tarcísio de Freitas atravessou, no entanto, o samba e discordou do aliado: “Não dá para ter 1,5 milhão de pessoas na Consolação”. Em nota, a diretoria do Baixo Augusta criticou a ­prefeitura. “É uma imensa falta de organização o não cumprimento dos horários acordados. Com 17 anos de história, o maior bloco da cidade e um dos maiores do Brasil foi desrespeitado de forma triste e violenta, mostrando a todos uma prova clara da falta de competência para realizar o que foi proposto”, diz o texto.

Portugal/ Chega para lá?

Convém não apostar na derrocada da extrema-direita

Ventura ameaça: ele ainda vai governar o país – Imagem: Felipe Amorim/AFP

A vitória do socialista António ­José Seguro por 66,7% no segundo turno das eleições presidenciais cria uma falsa impressão de que Portugal deu, sem perdão do trocadilho, um chega para lá em André ­Ventura, líder e “dono” do Chega, o partido de extrema-direita. Ventura, é verdade, obteve maioria em apenas um distrito no continente e em outro na região dos Açores, além de vencer entre os imigrantes portugueses no Brasil, mas o resultado está longe de afastar o fantasma do extremismo. Pela primeira vez em 40 anos, a disputa não acabou no primeiro turno, sinal do grau de radicalização da sociedade. Um terço dos eleitores desejava colocar na Presidência da República um protótipo fascistoide, um xenófobo que se orgulha do passado salazarista de miséria e ignorância e que reativou os sentimentos mais abjetos de um país envenenado, ressentido e incapaz de compreender as razões do próprio atraso. Apesar do revés, Ventura afiançou na noite do domingo 8: o Chega ainda vai governar Portugal. Há muito tempo, a frase deixou de ser bravata e se converteu em prognóstico.

P.S.: Ventura é comumente chamado de o Bolsonaro português. Engano. O ex-comentarista esportivo parece ter lido um ou dois livros, ao contrário do golpista preso viciado em caça-letras. Isso o torna mais perigoso.

Truco japonês

Sanae Takaichi, premier do Japão aliada de Donald Trump, apostou alto e levou a melhor nas eleições antecipadas. A coalizão do Partido Liberal Democrata, de Takaichi, obteve 316 das 465 cadeiras do Parlamento, maioria sólida que ampliará os poderes da primeira mulher a governar o país. A ampla vitória, discursou, indica o desejo dos eleitores de uma “mudança importante na política”. Takaichi entrou, desde a posse, em rota de colisão com a China, o que levou Pequim a emitir uma nota na segunda-feira 9. O governo chinês promete uma “resposta contundente”, caso “as forças de extrema-direita no Japão façam uma leitura equivocada da situação e atuem de forma imprudente”.

Super Bowl/ A América de Bad Bunny

O cantor latino enaltece o continente e enfurece Donald Trump

Uma lição geopolítica de Bunny para a plateia do evento – Imagem: Rafael Luz/STJ

Foi exatamente como se imaginava. A apresentação do cantor Bad Bunny no intervalo do Super Bowl tornou-se a mais contundente resposta política à autocracia de Donald Trump. O ponto mais luminoso do espetáculo aconteceu no fim. Bunny pegou uma bola de futebol na qual se lia “Juntos, somos a América” e afirmou, em inglês, a frase patriótica e totalitária “Deus abençoe a América”. Enquanto isso, um grupo de bailarinos e músicos empunhava bandeiras de diversos países do continente. Na se­quência, o artista definiu a América: “Ou seja, Chile, ­Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Equador, Brasil…” Elencou todas as nações e terminou: “incluindo os Estados Unidos e minha terra-mãe, Porto Rico”. Trump acusou o golpe. Na sua rede social, o presidente norte-americano escreveu, da forma delirante de costume: “Ninguém entende uma palavra do que está dizendo, e a dança é repugnante. Esse ‘show’ é um tapa na cara do nosso país, que está estabelecendo novos padrões e recordes todos os dias”. Teria Bunny preparado uma resposta antecipada? “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”, dizia uma frase projetada durante a apresentação.

Publicado na edição n° 1400 de CartaCapital, em 18 de fevereiro de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A Semana’

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