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Policiais da Argentina são punidos após protesto por aumento de salário
Os agentes se manifestaram na província de Santa Fé, em um dos distritos com os maiores índices de criminalidade do país
Cerca de vinte policiais da província de Santa Fé, no norte da Argentina, foram punidos nesta terça-feira 10 após realizarem um protesto exigindo melhores salários e melhorias no atendimento de saúde mental, em um dos distritos com os maiores índices de criminalidade do país.
Dezenas de policiais, acompanhados por seus familiares, protestaram em frente à sede da polícia na cidade de Rosário entre a noite de segunda-feira e a madrugada desta terça-feira.
O protesto continuou pela manhã com dezenas de viaturas policiais com as sirenes ligadas em frente à sede do governo, na capital provincial.
“Estamos investigando possíveis crimes cometidos por grupos marginalizados e deslocados da Polícia, que se recusam a aceitar que perderam a posição de poder e privilégio que antes detinham”, disse o ministro da Justiça e da Segurança de Santa Fé, Pablo Cococcioni, em uma coletiva de imprensa.
Coccoccioni anunciou a suspensão e o desarmamento de 20 policiais.
O advogado Gabriel Sarla, ex-policial de Santa Fé e um dos participantes do protesto, explicou ao canal LN+ que “a principal reivindicação é por melhores salários, mas também por apoio psicológico integral e transporte para os policiais que moram a até 600 quilômetros de seus locais de trabalho”.
Carmen, uma policial da ativa com seis anos de serviço, que preferiu não divulgar seu sobrenome, disse à Rádio Con Vos que recebe um salário mensal de 900 mil pesos (cerca de 3.330 reais pela cotação oficial), o que a obriga a “trabalhar horas extras com turnos que ultrapassam 16 horas e sem folga”.
Ela também confirmou que o protesto se espalhou por diversas delegacias de polícia provinciais.
Cococcioni, embora tenha reconhecido as reivindicações salariais como “legítimas e justificáveis”, alertou que “grupos se formaram, engajando-se em ações violentas e ilegais (…)”.
“Usar a força policial para minar a política de segurança que tanto nos custou estabelecer em Santa Fé é cruzar uma linha que não permitiremos”, declarou.
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