Do Micro Ao Macro
Três razões para evitar o comportamento multitarefa no trabalho
Neurociência mostra que alternar tarefas reduz foco, aumenta erros e eleva o estresse, com impacto direto na produtividade individual e organizacional.
O comportamento multitarefa ainda é tratado como virtude no ambiente profissional, mas evidências científicas apontam o oposto. A ideia de realizar várias atividades ao mesmo tempo segue popular, apesar de contrariar o funcionamento do cérebro humano.
No cotidiano, é comum responder mensagens enquanto se analisa um relatório ou participar de reuniões paralelamente a outras tarefas. Para a neurociência, porém, essa prática não representa eficiência. Como escreve a autora do artigo, Thaís Gameiro, o multitasking é um dos mitos mais persistentes sobre desempenho cognitivo.
Pesquisas conduzidas pela Universidade de Stanford indicam que apenas cerca de 2% das pessoas conseguem executar mais de uma tarefa em paralelo com desempenho adequado. Para a maioria, o comportamento multitarefa gera perdas relevantes.
Comportamento multitarefa desperdiça tempo
Ao tentar dividir a atenção entre tarefas, o cérebro não executa atividades simultâneas. O que ocorre é a alternância rápida de foco, conhecida como troca atencional.
Cada mudança exige um novo período de engajamento cognitivo. Assim, ao sair da tarefa A para a B, parte do tempo produtivo se perde. O resultado costuma ser exatamente o oposto do esperado: mais tempo gasto para entregar menos.
Comportamento multitarefa aumenta erros
A atenção funciona como um filtro. Quando está concentrado em uma atividade, o cérebro prioriza determinadas informações e ignora outras.
No comportamento multitarefa, esse filtro perde eficiência. Informações relevantes deixam de ser processadas, o que amplia falhas e retrabalho. Estudos indicam que a taxa de erros pode crescer em até 20% quando tarefas são executadas de forma alternada.
Comportamento multitarefa eleva o estresse
Outra consequência frequente do multitasking é o aumento da carga de estresse. A necessidade constante de alternar foco eleva a pressão cognitiva e emocional.
Pesquisas associam essa prática à maior liberação de hormônios ligados ao estresse, como o cortisol, com efeitos diretos sobre saúde e bem-estar. No ambiente corporativo, isso tende a agravar quadros de cansaço e queda de rendimento.
Diante desses dados, organizações são chamadas a rever práticas de gestão. Como defende Thaís Gameiro ao longo do artigo, o comportamento multitarefa não deve ser incentivado como habilidade desejável. Evidências sugerem que ele pode gerar perdas de produtividade próximas a 40%, reforçando a necessidade de culturas de trabalho baseadas em foco, priorização e organização.
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