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Neurocientista explica a dificuldade de dizer ‘não’ no trabalho

Medo de rejeição, hierarquia e vieses sociais ajudam a explicar por que profissionais aceitam demandas excessivas no ambiente corporativo.

Neurocientista explica a dificuldade de dizer ‘não’ no trabalho
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Dizer ‘não’ no trabalho segue como um dos maiores desafios da rotina profissional. A dificuldade aparece em pedidos simples ou em demandas recorrentes e costuma estar ligada ao receio de julgamento, desgaste de relações e perda de espaço.

Segundo a neurocientista Ana Carolina Souza, doutora em Neurociência Comportamental, a origem desse comportamento está no funcionamento social do cérebro. A pergunta que costuma surgir é direta: o que vão pensar de mim?

Cérebro social e rejeição

Para compreender por que dizer não no trabalho gera desconforto, é preciso considerar que o ser humano é uma espécie social. Pesquisas mostram que qualidade das relações está associada a saúde, longevidade e bem-estar na vida adulta.

Além disso, estudos indicam que a exclusão social ativa regiões cerebrais ligadas à dor emocional. Em sentido oposto, suporte social reduz respostas físicas ao estresse. Assim, negar um pedido pode ser percebido pelo cérebro como risco de afastamento do grupo.

Hierarquia no ambiente profissional

No trabalho, esse efeito tende a se intensificar quando a solicitação parte de alguém hierarquicamente superior. Nesses casos, dizer não no trabalho pode ser interpretado como rejeição ou falta de engajamento.

Diante disso, o cérebro aciona mecanismos de evitação. A resposta mais rápida costuma ser aceitar a demanda, mesmo quando ela compromete prioridades, saúde e desempenho ao longo do tempo.

O custo de dizer sempre sim

Ao atender expectativas externas de forma contínua, profissionais reduzem tempo disponível para descanso, vida pessoal e tarefas prioritárias. A sobrecarga se acumula e aparece como cansaço, frustração e queda de rendimento.

Para Ana Carolina Souza, o problema não está no pedido em si, mas na ausência de limites claros. Tentar atender a todos tende a gerar conflitos internos e prejuízos persistentes.

Avaliar pedidos com critério

Antes de responder, é importante entender o contexto da solicitação. Fazer perguntas ajuda a dimensionar impacto, prazo e relevância da demanda para a carreira ou para a vida pessoal.

Quando a decisão for negativa, dizer não no trabalho de forma estruturada reduz ruídos emocionais e preserva relações.

Como dizer não no trabalho

Uma abordagem indicada é reconhecer a importância do pedido para quem o fez. Agradecer e demonstrar respeito ajuda a reduzir interpretações equivocadas.

Outro ponto é evitar respostas curtas e sem contexto. Apresentar o raciocínio por trás da decisão limita leituras baseadas em vieses. Ainda assim, excesso de explicações pode abrir espaço para discussões desnecessárias.

Manter firmeza também é relevante. Mostrar que a decisão foi pensada e está alinhada a prioridades torna o limite mais claro. Em alguns casos, é possível negociar prazos, escopo ou indicar outra pessoa.

Limites se constroem com prática

Quanto melhor o relacionamento, maior a margem para negociação. Assim como outras habilidades, dizer não no trabalho tende a melhorar com a prática, começando por situações de menor risco.

Um exercício simples ajuda a visualizar escolhas. Ao aceitar um compromisso, outro é automaticamente recusado. Tornar essa troca explícita amplia a consciência sobre prioridades.

Reconhecer necessidades, desejos e limites permite decisões mais alinhadas. Ao negar pedidos desalinhados, o profissional preserva energia para aquilo que considera relevante, dentro e fora do trabalho, reforçando o papel de dizer não no trabalho como ferramenta de gestão pessoal e profissional.

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