Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Tia Ciata não levou ao Rio apenas o samba, mas a liberdade, diz Roberto Mendes

O cantor e compositor santo-amarense exalta o gênero que nasceu no Recôncavo Baiano antes de ser oficialmente reconhecido no Rio de Janeiro

Tia Ciata não levou ao Rio apenas o samba, mas a liberdade, diz Roberto Mendes
Tia Ciata não levou ao Rio apenas o samba, mas a liberdade, diz Roberto Mendes
Foto: Reprodução/CartaCapital
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O primeiro samba gravado, Pelo Telefone (Donga e Mauro de Almeida), de 1916, surgiu nas rodas promovidas por Tia Ciata em sua casa no Rio de Janeiro. Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, nasceu em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, em 1854. 

Aos 22 anos, ela foi para a então capital federal, onde se tornou conhecida como uma liderança da comunidade afro-brasileira. Passou a ser respeitada até pelo presidente Wenceslau Brás, após curá-lo de uma enfermidade. 

Para o cantor, compositor e pesquisador Roberto Mendes, também natural de Santo Amaro, Tia Ciata levou ao Rio de Janeiro a oralidade do canto de trabalho, amplamente praticado em sua terra natal com o nome de chula.

Houve no Recôncavo Baiano, segundo Mendes, “o encontro de 200 anos de batuques com as violas machete e a 3/4”. Dessa fusão, acrescentou, nasceu um belíssimo canto violado, a chula.

Roberto Mendes e Jorge Portugal — outro santo-amarense — compuseram a música O Samba Antes do Samba: “O samba já existia antes do samba/ Lá no Recôncavo onde tudo começou/ Passaram-se muitos anos e muitas rodas de bamba / (…) Pelo telefone o som chegou ao Rio/ Mas foi na Bahia que ele começou”.

No documentário O Samba Antes do Samba (2025), do qual Mendes é protagonista, ele detalha essa história e apresenta a Graci Mary Moreira da Silva, bisneta de Tia Ciata que vive no Rio, a roda de samba chula, que resiste no município baiano.

“Tia Ciata levou (ao Rio) o canto ligado à fé. Ela deu ao País muito mais do que o samba: deu a liberdade”, resume, em entrevista a CartaCapital. Hilária é uma das principais referências da formação do samba moderno e da exaltação à cultura negra no Brasil pós-abolição da escravatura.

Com composições gravadas por Maria Bethânia, Gal Costa e Daniela Mercury, dentre outros, Roberto Mendes tem em sua discografia 11 álbuns com fortes referências do samba de roda e da chula. Ele diz que o próximo disco será bem familiar, com a presença dos filhos Leonardo Mendes e João Mendes.

Assista à entrevista de Roberto Mendes a CartaCapital:

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