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Caso Epstein: Polícia britânica faz buscas em propriedades ligadas a ex-embaixador
Peter Mandelson é suspeito de repassar informações financeiras confidenciais ao criminoso sexual
A polícia britânica anunciou, nesta sexta-feira 6, buscas em duas propriedades como parte da investigação sobre o ex-ministro Peter Mandelson, suspeito de repassar informações financeiras confidenciais ao criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein.
As buscas foram realizadas em uma propriedade em Wiltshire (sudoeste da Inglaterra) e outra no bairro londrino de Camden, informou a Polícia Metropolitana em um comunicado.
A polícia acrescentou que as buscas estão relacionadas à “investigação em andamento envolvendo um homem de 72 anos por crimes relacionados à má conduta no exercício de funções oficiais”.
O homem, cuja idade coincide com a de Peter Mandelson, “não foi preso e as investigações continuam”, acrescentou a polícia.
As autoridades abriram uma investigação na terça-feira, após documentos dos arquivos de Epstein, divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, sugerirem que Mandelson repassou informações ao financista americano que poderiam influenciar os mercados, principalmente enquanto era ministro no governo trabalhista de Gordon Brown, entre 2008 e 2010.
No mesmo dia, o próprio Gordon Brown afirmou ter entregado à polícia “informações relevantes” sobre a transmissão, por Peter Mandelson, de “informações capazes de influenciar os mercados financeiros” e também de “material confidencial do governo” a Jeffrey Epstein.
Brown descreveu esse comportamento como “um ato indesculpável e antipatriótico”.
As novas revelações sobre a extensão dos vínculos entre Peter Mandelson e Jeffrey Epstein mergulharam o governo trabalhista de Keir Starmer em uma crise.
O primeiro-ministro trabalhista foi questionado sobre o que sabia desses vínculos quando, em dezembro de 2024, nomeou Mandelson embaixador em Washington.
Starmer o demitiu em setembro de 2025, após revelações anteriores contidas nos arquivos de Epstein.
Na quinta-feira, Starmer pediu desculpas às vítimas de Jeffrey Epstein por ter nomeado Mandelson, mas descartou renunciar ao cargo de primeiro-ministro.
“Lamento ter acreditado nas mentiras de Mandelson e tê-lo nomeado”, declarou Starmer. “Já se sabia há algum tempo que Mandelson conhecia Epstein, mas nenhum de nós tinha noção da extensão e da obscuridade dessa relação.”
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