Esporte
Guardiola defende o direito de se pronunciar sobre temas de fora do futebol
Representantes da comunidade judaica de Manchester criticaram o técnico, que expressou indignação com ‘o genocídio na Palestina’
O técnico do Manchester City, Pep Guardiola, reiterou nesta sexta-feira 6 que sempre se manifestará quando “pessoas inocentes forem mortas” no mundo, em resposta às críticas de representantes da comunidade judaica da cidade de Manchester.
“Por que eu não posso expressar o que sinto? Só porque sou treinador? Não concordo, mas respeito todas as opiniões”, declarou Guardiola em entrevista coletiva.
“O que eu disse, em essência, foi: quantos conflitos existem no mundo? Muitos. Condeno todos. Se matam inocentes, condeno tudo isso. Não disse que tal país é mais importante que outro, não. Se não entendem minha mensagem, tudo bem”, acrescentou.
Na terça-feira, Guardiola havia expressado sua indignação com as “milhares de pessoas inocentes” assassinadas pela guerra, citando “o genocídio na Palestina, o que acontece na Ucrânia, o que acontece na Rússia, o que acontece em todo o mundo, no Sudão, em toda parte”.
O treinador ressaltou que sua postura não era uma declaração política, ou que estava tomando um partido, mas sim uma defesa da vida humana onde civis sofrem.
Na semana passada, Guardiola viajou a Barcelona para fazer um discurso em apoio às crianças palestinas.
Essas manifestações, raras no mundo do futebol, renderam inúmeros elogios ao espanhol, mas também críticas, especialmente do Conselho Representativo Judaico da Grande Manchester.
“Pep Guardiola é um técnico de futebol. Embora suas reflexões humanitárias tenham boas intenções, ele deveria se concentrar no futebol”, escreveu a instituição na rede social X, dizendo temer que tais declarações incentivem atos antissemitas.
O Conselho Representativo também criticou Guardiola pela falta de apoio público após o ataque terrorista de outubro de 2025 à sinagoga de Heaton Park, em Manchester, no qual dois fiéis foram mortos.
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