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Governo Milei cria escritório para desmentir ‘operações da mídia’

Em sua primeira postagem, a conta explica que ‘foi criada para desmentir ativamente a mentira’

Governo Milei cria escritório para desmentir ‘operações da mídia’
Governo Milei cria escritório para desmentir ‘operações da mídia’
Javier Milei, presidente da Argentina. Foto: ANNA MONEYMAKER / GETTY IMAGES NORTH AMERICA/ AFP
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O governo do presidente argentino, Javier Milei, anunciou, nesta quinta-feira 5, a criação de um Escritório de Resposta Oficial da República Argentina, uma conta no X para “desmentir” o que ele considera mentiras dos meios de comunicação contra sua gestão.

A medida soma mais um capítulo ao histórico de confronto que Milei tem com boa parte da imprensa, e que manifesta através de insultos, denúncias judiciais e, inclusive, um lema: “Não odiamos os jornalistas o suficiente”, resumido na sigla NOLSALP.

“Para desmascarar mentiras e operações da mídia. Fim”, escreveu Milei, nesta quinta-feira, em sua conta no X, na qual compartilhou a primeira publicação do chamado “Escritório de Resposta Oficial”.

Em sua primeira postagem, a conta explica que “foi criada para desmentir ativamente a mentira, sinalizar falsidades concretas e deixar em evidência as operações da mídia e da casta política”.

“Vamos combater a desinformação dando mais informação, tudo o contrário do que os setores políticos vinculados à esquerda fazem quando governam, em que buscam censurar os opositores tanto na mídia tradicional quanto nas redes sociais”, diz o texto de apresentação.

O comunicado não deu detalhes de como vai funcionar, nem quem vai administrar a conta, ou se implicará a criação de uma nova subestrutura dentro do governo.

Sobre sua missão, assegurou que não busca “impor um olhar”, mas “que os cidadãos possam distinguir fatos de operações e dados de relatos”.

A Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa, na sigla em espanhol) expressou, em um comunicado nesta quinta, sua “preocupação” com a nova conta oficial no X.

“O Estado, em todo o caso, é mais uma fonte de informação, não o árbitro da verdade pública”, disse a Adepa, que advertiu sobre o risco de que ferramentas como estas se transformem em “mecanismos de vigilância”.

O primeiro caso de acusação sobre coberturas identificadas como “falsas” foi de um artigo publicado no portal do jornal Clarín sobre um programa social do Ministério de Capital Humano.

Um relatório da ONG Human Rights Watch publicado na quarta-feira alertou para a “retórica hostil” de Milei e seus funcionários para “estigmatizar os jornalistas”.

Desde que chegou à Presidência, em dezembro de 2023, o discurso de Milei tem entre seus alvos preferidos os meios de comunicação e os “jornalistas lixo”, que em sua opinião são “90%” dos trabalhadores da imprensa.

Entre suas primeiras decisões presidenciais, o autodenominado anarco-capitalista suspendeu a publicação de ações do governo em veículos de comunicação e fechou a agência pública de notícias Télam.

Nos últimos dois anos, ele denunciou vários jornalistas por “calúnias e injúrias” e apontou pelo nome outras dezenas de comunicadores.

Com um objetivo similar ao do Escritório de Resposta Oficial, o governo dos Estados Unidos, chefiado por Donald Trump, de quem Milei é admirador e aliado fiel, lançou, em dezembro passado, o portal Media Bias para “expor fake news”.

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