

Opinião
Você para, ela ganha
A rede Estapar cresce com serviços digitais e registra receita recorde no último trimestre de 2025
ikttdataplataformA Estapar encerrou 2025 em ritmo acelerado de crescimento, a reforçar a tese de que o negócio de estacionamento virou, de fato, um hub de mobilidade e serviços digitais. A companhia reportou receita líquida de 499,7 milhões de reais no quarto trimestre de 2025, alta de 16,1% em relação ao mesmo período de 2024. O número é um novo recorde trimestral, impulsionado pela expansão da base de operações e pelo maior fluxo de veículos em aeroportos, shoppings e zonas azuis.
O avanço não veio apenas do asfalto. As plataformas digitais – entre elas o Zul+, aplicativo da Zona Azul de São Paulo – já respondem por 21,8% da receita líquida, ante 19,5% um ano antes, evidenciando o peso crescente de soluções como reservas de vagas, gestão de estacionamento rotativo, serviços financeiros e seguros no ecossistema da marca. Em paralelo, a empresa amplia contratos de longo prazo em ativos prime, como aeroportos e centros comerciais, o que reforça a previsibilidade de caixa.
O desempenho operacional reflete-se também na trajetória recente: no terceiro trimestre de 2025, a Estapar já havia registrado receita líquida de 486 milhões de reais (+21,7% na base anual) e lucro líquido de 7,8 milhões de reais, com redução da alavancagem financeira e forte geração de caixa. Com presença em 18 estados e 96 municípios, a empresa tenta posicionar-se como infraestrutura crítica da mobilidade urbana, o que, para investidores, representa um modelo resiliente, escalável e cada vez mais digitalizado.
Só para exportação
A Lepas, nova marca chinesa do Grupo Chery, prepara sua chegada ao Brasil em 2026 com foco em SUVs. A empresa direciona suas apostas no mercado externo. Criada em 2025, a Lepas é uma subdivisão da Chery International, com sede em Wuhan e missão de atuar apenas fora da China, usando a rede de oito centros globais de P&D do grupo. O plano é agressivo: estar em até 45 países até 2027, com meta de 500 mil veículos produzidos e vendidos por ano e perto de 1,2 mil pontos de venda no mundo.
O portfólio inicial traz três SUVs – L4, L6 e L8 – todos com forte conteúdo tecnológico. O L4 é um SUV compacto, de quase 4,3 metros, semelhante ao Volkswagen TCross e o Chevrolet Tracker. O modelo chinês deve usar um motor 1.5 turbo, já conhecido no Tiggo 5X, com possíveis versões eletrificadas. O L6 sobe ao segmento médio, com porte de Jeep Compass, e deve adotar motor 1.6 turbo de 187 cavalos, também com perspectiva de híbridos. No topo, o L8 é o mais caro da linha, com conjunto híbrido plugin que combina motor 1.5 turbo e sistema elétrico, chegando a quase 275 cavalos e mais de 100 quilômetros de autonomia elétrica.
A estreia brasileira é esperada para o segundo semestre de 2026, possivelmente começando pelo L4, mas ainda sem definição oficial de mix e posicionamento de preços em relação à Chery, Omoda/Jaecoo e Jetour, outras bandeiras do mesmo grupo já presentes no País.
Ceará plugado
O mega-data center do TikTok no Ceará tornou-se um dos maiores projetos de infraestrutura digital da história recente do Brasil. A controladora ByteDance planeja investir cerca de 200 bilhões de reais em um complexo de hiperescala a ser instalado na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, em parceria com as brasileiras Omnia e Casa dos Ventos, responsáveis pela implantação de novos parques eólicos dedicados ao abastecimento da unidade.
As obras tiveram início neste mês e o primeiro data hall deve entrar em operação em 2027, com capacidade inicial de 200 megawatts de Tecnologia da Informação (MW de TI) – carga computacional que exige um volume de energia comparável ao consumo de uma cidade de 500 mil habitantes. Trata-se do primeiro data center do TikTok na América Latina, concebido para exportar serviços de processamento de dados, atendendo usuários de outros países a partir do Ceará. A estimativa é de geração de mais de 4 mil empregos ao longo das fases de construção e operação.
Oxxo Cola
A mexicana Femsa, maior engarrafadora da Coca-Cola no mundo, assumiu o controle total da rede de minimercados Oxxo no Brasil. A companhia encerrou a joint venture Grupo Nós, mantida com a Raízen, e passa a deter 100% das operações locais. No México, a Oxxo é operada pela Femsa Comércio e se consolidou como a principal cadeia de lojas de conveniência do país, com mais de 19 mil unidades.
A rede ocupa posição central na estratégia de varejo do grupo. Ao assumir integralmente a operação brasileira, a Femsa ganha maior autonomia para replicar no País o modelo consolidado em seu mercado de origem, com controle direto sobre expansão, sortimento, tecnologia e serviços agregados. •
Publicado na edição n° 1399 de CartaCapital, em 11 de fevereiro de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Você para, ela ganha’
Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.
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