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Trump ameaça a democracia global e influencia países da América Latina, diz HRW

Organização afirma que o presidente dos EUA impõe desafios aos direitos humanos no planeta

Trump ameaça a democracia global e influencia países da América Latina, diz HRW
Trump ameaça a democracia global e influencia países da América Latina, diz HRW
Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: Brendan SMIALOWSKI / AFP
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está entre as principais ameaças aos direitos humanos e à ordem democrática no mundo na atualidade, além de influenciar abusos em países latinoamericanos. É o que indica o Relatório Mundial 2026, divulgado pela Human Rights Watch (HRW), organização de abrangência global.

O documento, que tem mais de 500 páginas em sua versão impressa, afirma que as democracias que respeitam os direitos humanos devem se unir para preservar a ordem internacional, que está sob ameaça de Trump e, segundo a organização, da Rússia e da China, que, na avaliação da ONG, realizam “esforços de longa data” para “enfraquecer a ordem mundial”.

“Alegando um risco de ‘apagamento da civilização’ na Europa e recorrendo a esteriótipos racistas para classificar populações inteiras como indesejáveis nos EUA, o governo Trump adotou políticas e discursos alinhados com a ideologia nacionalista branca. A política externa de Trump abalou os alicerces da ordem mundial regida por leis que buscam promover a democracia e os direitos humanos. Trump se gabou de não ‘precisar do direito internacional’ como restrição, apenas de sua ‘própria moralidade’“, afirmou o diretor-executivo da HRW, Philippe Bolopion.

Entre os pontos de destaque está o envio de agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), muitas vezes mascarados, para batidas “desnecessariamente violentas e abusivas em centenas de locais”. A organização lembrou, também, que a Guarda Nacional foi enviada para cidades comandadas pelo partido Democrata (de oposição) sob pretexto de combater “insurreição” e a criminalidade – mesmo com relatórios que apontam menores taxas de crimes nas regiões abordadas.

O documento aponta, ainda, que Trump deixou claro, desde o primeiro dia de seu mandato, que iria agir contra minorias. Ao assumir o cargo, ele encerrou todos os programas de diversidade, equidade e inclusão, abrindo uma série de ações que miraram iniciativas e instituições que atuam contra a discriminação.

“As ações do governo incluíram uma série de decretos e políticas que eliminaram medidas para garantir os direitos civis em vários órgãos governamentais e suprimiram praticamente todas as iniciativas federais destinadas a reparar a injusta discriminação do passado, incluindo os legados remanescentes da escravidão. O governo também reformulou as políticas de admissão de refugiados, de modo que agora beneficiam quase exclusivamente os sul-africanos brancos”, prossegue o texto.

O relatório traz também denúncias sobre ataques à democracia dos EUA realizados pelo governo Trump. Entre os riscos apontados estão esforços para restrição de votos, incluindo uma ordem executiva que tentava impor requisitos de comprovação de cidadania, diminuição de prazos para voto por correspondência e limitação em correções de erros em cédulas eleitorais. Os tribunais do país vetaram algumas disposições.

“O governo lançou medidas abrangentes para enfraquecer os pilares fundamentais da sociedade civil que considera contrários às suas políticas, incluindo decretos executivos que cortam o financiamento à pesquisa universitária por supostas divergências ideológicas, restringem o acesso ao governo por escritórios de advocacia envolvidos em determinados trabalhos jurídicos, ameaçam o status de isenção fiscal de algumas organizações não governamentais e utilizam indevidamente a Comissão Federal de Comunicações e o Departamento de Justiça em tentativas de intimidar e silenciar vozes críticas”, alerta o documento.

Influência na América Latina

Segundo a HRW, a influência de Trump leva governos de países da América Latina e do Caribe a violar os direitos de não cidadãos. Além disso, a retórica trumpista é acionada para realizar abusos contra os cidadãos dos próprios países, segundo o relatório. A relação de Trump com os diferentes governos também é um ponto de destaque.

“Embora o governo dos Estados Unidos tenha frequentemente criticado as violações sistemáticas dos direitos humanos na Venezuela, Cuba e Nicarágua, ele fechou os olhos para graves abusos em El Salvador, Equador e Peru, que restringem jornalistas e grupos de direitos humanos”, relatou a HRW.

O documento cita o “ambiente hostil” criado pelo governo de Javier Milei, outro aliado de Trump, à mídia independente. Em El Salvador, nação da América Central comandada pelo ultraconservador Nayib Bukele, defensores de direitos humanos e críticos ao regime foram presos.

“Grupos de direitos humanos e jornalistas independentes continuam sendo atores fundamentais para proteger a democracia nas Américas. Os governos deveriam apoiá-los, pois eles trabalham sob grave risco para promover os direitos humanos e expor a corrupção e os abusos”, afirmou a diretora da HRW para as Américas, Juanita Goebertus.

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