Mundo
E-mails do Caso Epstein derrubam lorde britânico casado com um brasileiro
Ex-embaixador, Peter Mandelson deixará a Câmara dos Lordes após revelações do escândalo
O ex-embaixador britânico em Washington Peter Mandelson deixará a Câmara dos Lordes, anunciou a Casa nesta terça-feira 3, após virem à tona novas menções a ele em documentos sobre o Caso Jeffrey Epstein divulgados na última sexta-feira 30.
A saída de Mandelson se concretizará nesta quarta-feira 4, detalhou o presidente da Câmara, John McFall.
Pouco antes, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, havia cobrado uma ação rápida sobre o caso. Ele disse que Mandelson “falhou com seu país” e determinou a elaboração de uma lei para retirar seu assento na Câmara dos Lordes.
Em outra frente, a Comissão Europeia avaliará se Mandelson, ex-comissário europeu do Comércio, violou normas de conduta.
O diplomata, que em 2025 já havia sido demitido do cargo de embaixador nos Estados Unidos devido aos seus vínculos com Epstein, teria recebido pagamentos do criminoso sexual no início dos anos 2000, conforme documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA. Após a publicação do novo lote de arquivos, ele também deixou o Partido Trabalhista.
Dados bancários indicam que Epstein transferiu o equivalente a 391 mil reais (na cotação atual) em três pagamentos para contas vinculadas a Mandelson, entre 2003 e 2004. O ex-embaixador também aparece em fotos sem data, vestindo roupas íntimas ao lado de uma mulher cujo rosto foi coberto.
Segundo o material divulgado na última sexta, Epstein também enviou dinheiro ao marido de Mandelson, o brasileiro Reinaldo Avila da Silva. Registros de 2009 mostram um pedido de Reinaldo para que o criminoso enviasse o equivalente a 71 mil reais (na cotação atual) para bancar um curso e outras despesas relacionadas.
“Transferirei o valor do seu empréstimo imediatamente”, respondeu Epstein naquele dia.
A renúncia de Mandelson à Câmara dos Lordes não deve marcar o ponto final em sua humilhante retirada da cena política. Segundo o jornal Financial Times, o diplomata virou alvo de uma investigação da Polícia Metropolitana de Londres por má conduta em cargo público.
A apuração se debruça sobre as diversas denúncias de que Mandelson encaminhou a Epstein documentos confidenciais do governo britânico — à época, o ex-embaixador era ministro do premiê Gordon Brown.
Os representantes da Câmara dos Lordes não são eleitos. A Casa é independente da Câmara dos Comuns, mas tem atribuições semelhantes, como analisar projetos de lei e contestar decisões governamentais. Não tem um número fixo de assentos — no início de 2025, por exemplo, tinha cerca de 800 integrantes.
Registro extraído dos arquivos do caso Epstein mostra o criminoso respondendo a Reinaldo Avila da Silva
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Por que vítimas de Epstein querem bloquear o site com arquivos sobre o escândalo
Por CartaCapital
Os nomes famosos mencionados nos arquivos do Caso Epstein
Por AFP
Bill e Hillary Clinton prestarão depoimento no Congresso dos EUA sobre caso Epstein
Por AFP



