Política
Governo começa a mapear ministros substitutos antes do prazo de desincompatibilização
O Planalto organiza critérios e deve priorizar alianças já estabelecidas com partidos do Centrão, mesmo que siglas lancem adversários na eleição
O governo Lula (PT) começa neste mês de fevereiro a mapear possíveis nomes para compor a Esplanada dos Ministérios em abril, quando termina o prazo de desincompatibilização. A lista ainda é embrionária e tem perto de definições apenas algumas pastas, como a Secretaria das Relações Institucionais, de Gleisi Hoffmann, e a Fazenda, de Fernando Haddad.
Para substituir os dois petistas, o Palácio do Planalto tem adotado como critérios experiência prévia na pasta, domínio do tema e proximidade com o atual titular. Nesse desenho, despontam o secretário do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, Olavo Noleto, para a articulação política, e o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, para a equipe econômica.
Se para esses ministérios a substituição está encaminhada, há cerca de outras 20 pastas que precisarão ser redefinidas nos próximos dois meses. Lula deve perder mais da metade de sua equipe ministerial para a disputa das eleições de outubro, o que transforma a reforma em um quebra-cabeça político de grandes proporções. A lista completa das possíveis mudanças pode ser conferida aqui.
Fidelidade em pauta
Lula e sua equipe também estão adotando requisitos de fidelidade para compor a nova Esplanada. Mesmo diante do histórico errático de partidos como União Brasil, PP e PSD nas votações da Câmara e do Senado, Lula tende a honrar os acordos já firmados com essas siglas e solicitar novas indicações para os cargos que ficarão vagos.
Como a Justiça Eleitoral veda que candidatos permaneçam em cargos públicos durante o período eleitoral, indicações explicitamente políticas devem ser evitadas neste momento. Por isso, o chamado “modelo Frederico Siqueira” deve se repetir. No caso do Ministério das Comunicações, embora a indicação tenha partido do União Brasil após a saída de Juscelino Filho (MA), o escolhido não era um político de carreira, mas um nome de perfil técnico.
Mesmo que esses partidos lancem candidatos contra Lula — como no caso do PSD, que abriga projetos presidenciais de Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. e Eduardo Leite —, a tendência do presidente é cumprir os compromissos assumidos antes da formação do atual ministério.
Há, porém, uma exceção importante. O PP não deve indicar — nem reivindicar — um sucessor para André Fufuca, o que abre caminho para Lula nomear alguém de sua inteira confiança, provavelmente um petista.
Em meados de 2025, Fufuca recebeu um ultimato: ou deixava o ministério, ou seria expulso do partido. Ele preferiu ficar com Lula e nada aconteceu. Agora, deve ser candidato ao Senado pelo Maranhão.
E o União Brasil?
Sem candidatura própria e cada vez mais próximo do bolsonarismo, o União Brasil adotou postura semelhante em relação a Celso Sabino. O partido deu ao ministro do Turismo o mesmo ultimato imposto a Fufuca — e, desta vez, cumpriu a ameaça, expulsando-o da sigla. Pouco depois, mesmo contando com o apoio de Lula, Sabino foi demitido. Em seu lugar, assumiu Gustavo Feliciano, ex-correligionário indicado pelo próprio União.
Conforme a reportagem apurou, o governo Lula ensaia uma reaproximação com o partido, principalmente para compor chapas no Norte e no Nordeste, visando uma aliança pontual nessas regiões. O principal operador desse arranjo é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), que é, inclusive, o responsável por duas das três indicações do União na Esplanada.
Por ora, o partido conversa para se manter “neutro” na eleição presidencial, o que facilitaria essa reaproximação com Lula.
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