Saúde

Anvisa oficializa as novas regras sobre uso da cannabis medicinal no Brasil

A medida foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira

Anvisa oficializa as novas regras sobre uso da cannabis medicinal no Brasil
Anvisa oficializa as novas regras sobre uso da cannabis medicinal no Brasil
Efeito. Utilizar todos os componentes da flor de cannabis é a melhor forma de obter bons resultados na maioria dos tratamentos, diz o psiquiatra Falcone – Imagem: iStockphoto
Apoie Siga-nos no

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) formalizou nesta terça-feira 3 as novas regras para o uso de cannabis medicinal no Brasil. A decisão que amplia as possibilidades de uso dos derivados da maconha foi publicada no Diário Oficial da União.

A diretoria colegiada do órgão se reuniu na última quarta-feira 28 para debater o tema após determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que ordenou a obrigatoriedade de criação de um marco regulatório sobre o assunto.

Com as novas regras, passa a ser permitida a comercialização de medicamentos para uso bucal, sublingual e dermatológico baseados na cannabis. Antes, apenas os de uso oral e inalatório podiam buscar registro para venda no País.

A Anvisa decidiu, também, que pacientes com doenças debilitantes graves poderão usar medicamentos com concentração de tetrahidrocanabinol (THC) superiores a 0,2%, antes restritos a pessoas em situação terminal ou em condições clínicas irreversíveis.

Passa a ser permitida, ainda, a publicidade dos medicamentos elaborados a partir da cannabis. Entretanto, a autorização se restringe a profissionais prescritores, respeitando as informações de rotulagem dos produtos e material informativo que deve ser referendado pela própria Anvisa.

Entenda

Em novembro de 2024, o STJ decidiu que a Lei das Drogas não alcança espécies de cannabis com concentrações muito baixas de tetrahidrocanabinol, princípio ativo da planta que causa efeitos entorpecentes.

À época, os ministros concederam autorização a uma empresa que recorreu à Corte para importar sementes de cannabis com baixo teor de THC e alto teor de canabidiol, composto que não possui efeitos entorpecentes, mas traz benefícios medicinais.

Para que a decisão pudesse ser cumprida, o tribunal determinou a regulamentação da importação de sementes, do cultivo e da industrialização e comercialização de espécies de cannabis com baixa concentração de THC (menos de 0,3%).

Prazo prorrogado

O prazo estabelecido para a definição das regras, de seis meses, venceu em setembro de 2025, mas foi prorrogado em novembro, após pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).

Logo após a extensão, a Anvisa informou ter iniciado as ações necessárias para o cumprimento da determinação, incluindo a coleta de contribuições da sociedade civil e a elaboração dos documentos técnicos e da minuta do ato regulatório.

“O trabalho também inclui o planejamento das etapas para monitoramento e controle sanitário após a regulamentação”, destacou a agência.

Números

A estimativa da Anvisa é que mais de 670 mil pessoas no Brasil utilizem produtos à base de cannabis. O acesso a esse tipo de tratamento, segundo a Agência, ocorre sobretudo por via judicial.

Ainda segundo o órgão, desde 2022, o Ministério da Saúde atendeu cerca de 820 decisões para a oferta desse tipo de produto.

“Embora sem regulamentação no país, muitas associações conseguiram autorização na justiça para produção de cannabis exclusivamente para uso medicinal”, destacou a Anvisa.

(Com informações da Agência Brasil)

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo