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Filho da princesa da Noruega é preso antes de julgamento
Marius Borg Hoiby é suspeito de agressão a faca na véspera de ir ao banco dos réus sob acusação de estupro. Ele acumula dezenas de acusações, incluindo ainda abuso doméstico e assédio
O filho da princesa herdeira Mette-Marit, da Noruega, foi preso nesta segunda-feira 2, sob suspeita de lesão corporal, porte de faca e violação de uma ordem de restrição. As novas acusações contra Marius Borg Hoiby não estão relacionadas a várias outras que o levarão ao banco dos réus amanhã, o primeiro dia de um julgamento aguardado há meses.
A polícia disse que vai pedir permissão judicial para mantê-lo em custódia por quatro semanas. Aos 29 anos, Marius Borg Hoiby acumula outras 38 acusações, incluindo estupro, abuso doméstico e assédio.
Ele é fruto de um relacionamento anterior de Mette-Marit, antes de ela se casar com o príncipe herdeiro Haakon, futuro rei da Noruega. Hoiby não possui o título de príncipe nem é membro oficial da família real norueguesa.
Marius foi inicialmente detido em agosto de 2024, por suspeita de agressão à então companheira. Ele então admitiu ter sido violento quando estava sob a influência de álcool e cocaína, além de ter destruído objetos no apartamento dela.
Denúncias em série
A prisão desencadeou uma série de outras denúncias por várias vítimas. Entre elas, estão a de estupro de quatro mulheres, violência contra uma ex-parceira e filmagem ilegal de várias mulheres, incluindo suas partes íntimas, sem o conhecimento ou consentimento delas.
Os estupros teriam acontecido entre 2018 e novembro de 2024. Todas as supostas agressões teriam ocorrido após relações sexuais consensuais, enquanto as mulheres dormiam.
Ele é também investigado por conduta sexual criminosa, abuso em relacionamento íntimo e lesão corporal, além de danos intencionais, ameaças à polícia e infrações de trânsito, acrescentou a polícia.
Hoiby rejeita as acusações de crimes sexuais, segundo seus advogados. A corte real norueguesa não quis comentar o assunto no ano passado, quando ele foi formalmente denunciado.
“Sem tratamento especial”
Ao apresentar a acusação contra Hoiby, o procurador Sturla Henriksbo disse: “Este caso é muito grave. Estupro e violência em relacionamentos íntimos são atos muito graves que podem deixar marcas duradouras e destruir vidas”.
Segundo ele, os laços com a família real “não devem significar que ele seja tratado com mais brandura ou mais severidade do que se atos semelhantes tivessem sido cometidos por outras pessoas.”
O filho da princesa herdeira tem um longo histórico de controvérsias. De acordo com relatos da mídia norueguesa, ele convivia com membros de gangues e da máfia albanesa de Oslo.
Em 2023, a polícia entrou em contato com o jovem para uma conversa cautelar depois que ele foi visto frequentando os mesmos círculos que “criminosos notórios”. Ele já havia sido preso em 2017 por usar cocaína em um festival de música.
Paralelamente, surgiram nesta semana novas evidências do envolvimento de Andrew Mountbatten-Windsor, ex-membro da família real britânica, no caso Jeffrey Epstein. O britânico perdeu o título real após ter sido associado a um esquema de exploração sexual de mulheres e adolescentes, há anos na mira das autoridades dos Estados Unidos.
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