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Tensão no Oriente Médio: diplomacia acelera negociações contra possível ação militar dos EUA no Irã

Trump recebeu um relatório de inteligência informando que este é o momento mais frágil do governo do país desde a chamada Revolução Islâmica de 1979

Tensão no Oriente Médio: diplomacia acelera negociações contra possível ação militar dos EUA no Irã
Tensão no Oriente Médio: diplomacia acelera negociações contra possível ação militar dos EUA no Irã
Ali Khamenei, o líder Supremo do Irã, tem desafiado Donald Trump. Foto: KHAMENEI.IR / AFP
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O Oriente Médio vive dias de expectativa diante da possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos contra o Irã, como forma de punição ao regime do país pelas milhares de mortes de manifestantes iranianos. Os protestos diminuíram, mas, segundo o Centro Internacional para Direitos Humanos no Irã (CHRI, em inglês), organização que monitora o que acontece no país a partir de Nova York, pelo menos 43 mil pessoas foram mortas pelas forças do governo iraniano.

O presidente Trump recebeu um relatório da Inteligência dos EUA informando que este é o momento mais frágil do governo do país desde a chamada Revolução Islâmica de 1979, quando este regime assumiu o controle do Irã.

Há uma corrida contra o tempo para evitar uma nova guerra na região, mas, até agora, os esforços diplomáticos da Arábia Saudita, Egito, Turquia, Catar e Omã para aliviar as tensões fracassaram.

Esses países buscam convencer o Irã a agir racionalmente e a “oferecer algo ao presidente Trump” que seja capaz de evitar um confronto. Em Washington, o presidente norte-americano confirmou a jornalistas que manteve conversas com o os iranianos.

Trump tem repetido que prefere negociações sobre o programa nuclear do Irã e também sobre o enriquecimento de urânio. A bordo do avião presidencial Air Force One, ele confirmou que o Irã “está conversando seriamente” com os Estados Unidos.

De acordo com o New York Times, algumas das opções apresentadas a Trump incluem incursões terrestres no Irã. Se este for o caminho escolhido, os EUA consideram também a possibilidade de operações que venham a danificar gravemente ou destruir completamente instalações do programa nuclear iraniano que não foram atingidas durante a guerra de 12 dias de junho do ano passado.

Mas, segundo fontes citadas de forma anônima pelo jornal, o líder norte-americano ainda não decidiu qual será a estratégia, se um ataque for mesmo realizado.

A posição do Irã

O líder-supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi às redes sociais dar um aviso claro: segundo ele, “os americanos devem saber que se eles começarem uma guerra, desta vez vai ser uma guerra regional”.

A declaração de Khamenei é similar à de Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento do país, que afirmou que “o senhor Trump poderia até ser capaz de iniciar uma guerra, mas não teria controle algum sobre como ela terminaria”

Também por meio das redes sociais, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, declarou que “ao contrário da atmosfera criada pela guerra midiática artificial, a formação de uma estrutura para negociações está em andamento”. Mas não deu mais detalhes.

O regime iraniano tem optado por mensagens ambíguas; acena para negociações, mas também diz estar pronto para a guerra.

A missão do país na ONU afirmou na conta oficial na rede X (ex-Twitter) que “da última vez que os EUA se envolveram em guerras no Afeganistão e no Iraque, desperdiçaram mais de 7 trilhões de dólares e perderam mais de 7 mil vidas americanas”. Em maiúsculas, como Donald Trump costuma fazer, os iranianos ameaçaram:

“O Irã está pronto para o diálogo baseado no respeito mútuo e em interesses comuns — MAS, SE PROVOCADO, SE DEFENDERÁ E RESPONDERÁ COMO NUNCA ANTES!”.

Ali Shamkhani, conselheiro do líder Supremo do Irã, incluiu Israel nas ameaças em postagem na rede X. “Falar de um ataque limitado é uma ilusão. Qualquer ação militar norte-americana, em qualquer nível, será considerada o início de uma guerra e será recebida com uma resposta imediata e sem precedentes direcionada ao agressor, a todos os seus apoiadores e ao coração de Tel Aviv”.

Protestos na Turquia criticam a aliança entre Trump e Israel, que ameaça o Oriente Médio. Foto: Yasin AKGUL / AFP

A posição de Israel

A avaliação de fontes de segurança é que os Estados Unidos deverão comunicar as autoridades israelenses com alguma antecedência, se de fato o presidente Donald Trump determinar uma ação no Irã.

Reservistas israelenses aguardam a convocação, em caso de necessidade. Israel também se prepara para modelos alternativos de ataques contra o seu território com a possibilidade até de ações terrestres.

Segundo informação obtida pela RFI, milícias pró-Irã no Iraque podem buscar uma infiltração terrestre em Israel por meio da fronteira com a Jordânia, a mais extensa de todas as fronteiras israelenses, com cerca de 350 quilômetros.

O Exército de Israel, em resposta, disse que não iria comentar a informação. Em caso de ataque por parte do Irã, a imprensa israelense afirma que o Exército de Israel projeta um cenário extremo envolvendo o disparo de centenas de mísseis balísticos pelo regime iraniano.

Durante a guerra de 12 dias de junho do ano passado, o Irã disparou cerca de 500 mísseis contra Israel. Agora, uma das possibilidades é que este número pode chegar a 700 mísseis balísticos.

De qualquer forma, as autoridades israelenses consideram que será possível lidar com esta ameaça, em especial se este for o “preço” a se pagar caso a ofensiva norte-americana venha a resultar na queda do regime da República Islâmica.

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