Do Micro Ao Macro
Reforma Tributária: o que muda, quando muda e como as empresas devem se preparar
Novo sistema de tributação sobre consumo começa a ser testado em 2026 e exige revisão de sistemas, contratos e práticas fiscais
A Reforma Tributária altera a tributação sobre o consumo no Brasil e já impõe ajustes às empresas a partir de 2026. A mudança foi instituída pela Emenda Constitucional 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar 214/2025. O novo modelo afeta regras fiscais, contratos, preços e sistemas, ampliando riscos para quem adiar adaptações.
Hoje, o país convive com 92 tributos em vigor. A multiplicidade de normas, somada a interpretações distintas do Fisco e do Judiciário, eleva custos de conformidade e amplia disputas. Para especialistas da RZ3, a Reforma Tributária responde a esse ambiente, mas exige decisões antecipadas.
O que muda com a Reforma Tributária
A Reforma Tributária substitui cinco tributos sobre o consumo — PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI — por dois impostos. O Imposto sobre Bens e Serviços reúne tributos estaduais e municipais. A Contribuição sobre Bens e Serviços concentra a tributação federal.
Além disso, foi criado o Imposto Seletivo, que incide sobre produtos definidos em lei, com foco em saúde e meio ambiente. Com isso, o Brasil passa a adotar um modelo de Imposto sobre Valor Agregado, com cobrança em cada etapa da cadeia.
IBS e CBS na prática
O IBS e a CBS incidem sobre o valor agregado, eliminando a cobrança em cascata. A mudança reduz disputas sobre créditos, mas não implica redução automática da carga tributária. Projeções indicam alíquota combinada próxima de 25%.
Empresas com alta intensidade de mão de obra tendem a registrar variações nos custos. O impacto depende da alíquota final, do aproveitamento de créditos e da reorganização das operações.
Transição da Reforma Tributária começa em 2026
Embora a transição plena esteja prevista para 2027, a Reforma Tributária começa a ser testada em 2026. As notas fiscais deverão destacar alíquotas experimentais: 0,1% para o IBS e 0,9% para a CBS.
Segundo a RZ3, esse período será decisivo para identificar falhas em sistemas, revisar processos e ajustar contratos. Empresas que não testarem rotinas fiscais tendem a ampliar riscos na virada do modelo.
Impactos setoriais e relações de trabalho
No setor de logística, responsável por cerca de 13,7% do PIB, a expectativa é de redução de burocracia. Ainda assim, há preocupação com possível aumento da carga tributária. O setor defende crédito sobre combustíveis e alíquotas diferenciadas por modal.
A Reforma Tributária também afeta relações de trabalho. Benefícios previstos em acordos coletivos, como vale-alimentação e plano de saúde, podem gerar créditos tributários. Esse movimento amplia o peso das negociações sindicais.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam para possível elevação da contribuição previdenciária patronal. Em alguns setores, esse custo já supera 28% da folha.
Preparação exige decisão antecipada
Para a RZ3, o principal erro é tratar a Reforma Tributária como um tema distante. A adaptação exige revisão tecnológica, jurídica, financeira e de governança ainda em 2026.
Isso envolve atualização de sistemas fiscais, capacitação de equipes, simulações de cenários e revisão contratual. A Reforma Tributária interfere em margens, preços e competitividade, com impacto direto na operação das empresas.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
40% das empresas ainda não começaram a adaptação à reforma tributária, aponta levantamento
Por Do Micro ao Macro
Lula sanciona comitê do IBS e lança plataforma digital que inicia fase prática da reforma tributária
Por Vinícius Nunes



