Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Catto: ‘Estar no palco como uma pessoa trans é um grito de liberdade’

A cantora fala sobre o Dia da Visibilidade Trans, celebrado nesta quinta-feira 29, e sobre o reconhecimento do álbum ‘Caminhos Selvagens’

Catto: ‘Estar no palco como uma pessoa trans é um grito de liberdade’
Catto: ‘Estar no palco como uma pessoa trans é um grito de liberdade’
(Foto: Ivi Maiga Bugrimenko)
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Nesta quinta-feira, 29, celebra-se o Dia Nacional da Visibilidade Trans. Para a cantora e compositora Catto, a data é mais do que simbólica: é um convite à reflexão sobre o papel da diversidade na cultura e sobre o caráter inevitavelmente político de sua presença nos palcos.

“Estar em cima do palco, sendo uma pessoa trans, é um grito de liberdade. Não existe como eu não ser política”, afirma, em entrevista à CartaCapital. “Esse é o espaço que tenho. Não é só a questão da militância: a própria cultura LGBTQIAPN+ é o berço de tudo. Tudo o que há de mais avant-garde na arte sempre veio da nossa comunidade.”

Catto destaca que a história da arte e das liberdades individuais está atravessada pela coragem de corpos dissidentes. “As pessoas só têm liberdade de expressão hoje porque, lá atrás, teve alguma travesti que colocou a cara na frente. Acham que a nossa pauta é algo pós-revolução sexual, mas a gente é milenar”, diz.

O discurso de afirmação também atravessa Caminhos Selvagens, seu quinto álbum de estúdio, apontado pela crítica como um dos melhores lançamentos de 2025. “Foi um trabalho mais profundo, em que mergulhei nos meus absurdos”, define.  “É o resultado de tudo o que fiz”.

Mais madura, mais segura, ela vê em Caminhos Selvagens a confirmação de um lugar conquistado. A relação com o público, marcada pela ideia de cumplicidade, aparece como eixo central do trabalho.

Antes desse disco autoral, Catto lançou Belezas São Coisas Acesas por Dentro (2023), álbum em que interpreta o repertório de Gal Costa. Questionada sobre a pressão de revisitar canções eternizadas por uma das maiores vozes da música brasileira, ela contemporiza. “A gente não tinha o compromisso de tratar aquele repertório como algo intocável”, explica. “Não foi sobre a voz da Gal, mas sobre o papel dela como transgressora”, diz.

A cantora faz três apresentações no Sesc Bom Retiro, em São Paulo, nos dias 30 e 31 de janeiro e 1º de fevereiro. O repertório tem como base Caminhos Selvagens, mas inclui canções de trabalhos anteriores, desde o EP Saga (2009), além de músicas do disco em homenagem a Gal Costa. Antes disso, nesta quarta-feira, 28, se apresenta no Teatro Riachuelo, no centro do Rio de Janeiro.

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