Política
PT amplia pressão sobre Haddad por candidatura em São Paulo
Plano A de Lula para o pleito paulista, o ministro da Fazenda tem demonstrado resistência a concorrer
Chefe da articulação política do governo Lula, a ministra Gleisi Hoffmann (PT) defendeu nesta quarta-feira 28 que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), dispute a eleição deste ano, algo a que o chefe da equipe econômica tem demonstrado resistência. Ele poderia concorrer ao governo de São Paulo ou buscar uma cadeira no Senado.
“Todos têm que entrar em campo, todos têm que vestir a camisa e fazer aquilo que melhor sabem fazer na disputa. Eu defendo que todos os quadros nossos, inclusive o ministro (Haddad), sejam candidatos neste processo eleitoral”, disse Gleisi, ex-presidenta do PT, a jornalistas em Brasília. Ela ressaltou, porém, que a definição passa por conversas com Lula.
Não é a primeira cobrança pública do PT nos últimos dias por uma candidatura de Haddad. No domingo 25, em entrevista ao jornal O Globo, o ministro da Educação, Camilo Santana, disse que o colega teve um papel importante em 2022 e, agora, representa algo “muito maior”. Assim, “não pode se dar ao luxo de querer tomar uma decisão individual”.
Fernando Haddad é o plano A de Lula para o governo de São Paulo, ainda que Tarcísio de Freitas (Republicanos) seja o favorito para o pleito, segundo pesquisas de intenção de voto. Mesmo em caso de derrota, ter um candidato de peso fortaleceria o palanque do presidente no maior colégio eleitoral do País.
Em 2022, Lula perdeu para Jair Bolsonaro (PL) no estado por 55% a 45%, mas amealhou 11,5 milhões de votos, uma contribuição decisiva para seu triunfo nacional. A diferença pró-Bolsonaro foi de cerca de 2,7 milhões.
Em entrevista a CartaCapital na semana passada, o ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB) — que busca convencer Lula de que é o candidato ideal em São Paulo —, resumiu a importância do pleito paulista, mesmo se a chapa lulista fracassar: “Uma coisa é perder aqui por dois milhões. Outra é perder por seis ou sete milhões. Aí não há onde compensar”.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
As prioridades de Lula no Congresso para o ano eleitoral, segundo Gleisi
Por André Barrocal
Às vésperas do Copom, Gleisi cobra corte na Selic e critica impacto sobre a dívida pública
Por André Barrocal
Oposição tem muito mais a explicar sobre o Caso Master do que o governo, diz Gleisi
Por André Barrocal



