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Às vésperas do Copom, Gleisi cobra corte na Selic e critica impacto sobre a dívida pública
Com inflação e dólar em queda, a ministra argumenta que o juro alto – o maior em duas décadas – perdeu sua função
O Banco Central do Brasil decide nesta quarta-feira, 28, se mantém ou altera a taxa básica de juros, hoje fixada em 15%. O mercado financeiro, ouvido semanalmente pelo BC por meio do boletim Focus, aposta que um eventual corte na Selic só virá em março. Um erro, na opinião da ministra Gleisi Hoffmann, chefe da articulação política do governo.
“Acho um absurdo o juro continuar nesse patamar”, afirmou a ministra nesta terça-feira, 28, em café da manhã com jornalistas. “Isso tem um efeito direto: o aumento da dívida pública brasileira. E, ao mesmo tempo, há gente defendendo corte de pessoal para reduzir a relação dívida/PIB.”
A dívida líquida do setor público alcançou 65% do PIB em novembro, último dado disponível do BC. Havia terminado 2024 em 61%. A alta de um ano para o outro se explica sobretudo pelo impacto dos juros elevados. Para 2026, segundo o boletim Focus mais recente, o mercado projeta que o indicador chegue a 70% do PIB.
A Selic está em 15% há quase um ano, desde junho do ano passado, o nível mais alto em duas décadas, fixado já sob o comando de Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Lula para a presidência do BC. Na última entrevista coletiva de 2025, em 18 de dezembro, Lula afirmou ter “100% de confiança” em Galípolo e disse esperar uma inflexão próxima na política monetária, ao afirmar que sentia “um cheiro de que logo logo a taxa de juros vai baixar”.
A principal justificativa do BC para manter os juros nas alturas é o controle da inflação. Em 2025, o IPCA, índice oficial de preços, fechou em 4,2%, abaixo do teto da meta (4,5%) e o menor resultado em seis anos. Para 2026, o mercado projeta inflação de 4%.
Gleisi sustenta, porém, que os dados recentes autorizariam uma redução imediata da Selic.
Um dos argumentos é a trajetória do dólar. A cotação da moeda americana influencia diretamente os preços internos e, portanto, a inflação. Na terça-feira, 27, o câmbio atingiu o menor patamar em um ano e meio: 5,20 reais por dólar.
Outro fator citado pela ministra é o comportamento dos preços dos alimentos, que têm peso relevante no IPCA. Em 2025, eles subiram 1,8%, abaixo da média geral da inflação. Há quem diga, porém, que em 2026 vão encarecer acima do visto em 2025.
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