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Nasry Asfura assume a presidência de Honduras com uma agenda atrelada aos EUA
A acirrada eleição no país foi marcada por denúncias de fraude e pela ameaça de Trump de cortar a ajuda caso seu aliado não vencesse
O conservador Nasry Asfura assume nesta terça-feira 27 a presidência de Honduras com uma agenda atrelada aos Estados Unidos, o que pode afetar sua relação com a China, para enfrentar os desafios econômicos e de segurança do país mais pobre e violento da América Central.
Sua chegada ao poder com o apoio de Donald Trump vira a página de quatro anos de governo de esquerda e garante ao mandatário republicano mais um aliado na América Latina após o avanço da direita no Chile, Bolívia, Peru e Argentina.
Asfura, de 67 anos, assumirá o comando em uma cerimônia austera na sede do Congresso, após uma eleição acirrada marcada por denúncias de fraude de seus adversários e pela ameaça de Trump de cortar a ajuda ao país caso seu aliado não vencesse.
Agradecido por esse respaldo, o ex-prefeito e empresário da construção, de raízes palestinas, viajou aos Estados Unidos para se reunir com o secretário de Estado, Marco Rubio, e depois visitou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
“Temos que estreitar relações com nosso parceiro comercial mais importante”, diz Asfura, declarado vencedor das eleições de 30 de novembro por estreita margem após uma tensa apuração de votos que durou pouco mais de três semanas.
China em análise
Os Estados Unidos são o destino de 60% das exportações de Honduras e, após o encontro com Rubio há duas semanas, foi anunciado que ambos os países planejam negociar um acordo de livre comércio.
“Em 2024 (…) o que compramos [da China] está perto de 3 bilhões de dólares (15,82 bilhões de reais)” e Honduras não chega a vender aos chineses “nem 40 milhões (211 milhões de reais)”, comentou à AFP a economista Liliana Castillo.
Em meio ao embate entre Washington e Pequim, Asfura avaliará retomar os vínculos com Taiwan; Honduras estabeleceu relações com a China em 2023, sob o governo da esquerdista Xiomara Castro.
“É preciso analisar os compromissos (firmados com a China), o que é melhor para Honduras, e aí buscaremos as melhores decisões”, declarou à CNN.
Dependência dos EUA
Honduras, onde a pobreza atinge 60% de seus 11 milhões de habitantes, também depende dos Estados Unidos porque as remessas dos dois milhões de migrantes que vivem lá, a maioria sem documentos, representam um terço de seu PIB.
Apesar de Trump estar empenhado em erradicar a migração irregular, Asfura pretende que ele restabeleça o status de proteção temporária (TPS, na sigla em inglês), que beneficia cerca de 60 mil hondurenhos.
Washington afirmou que espera reforçar a cooperação em segurança com Honduras, embora pouco antes das eleições tenha indultado o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, correligionário de Asfura e que cumpria nos Estados Unidos 45 anos de prisão por narcotráfico.
Segurança
Asfura tem o enorme desafio de enfrentar o narcotráfico entranhado nas mais altas esferas de poder, e as gangues Mara Salvatrucha e Barrio 18, declaradas terroristas pelos Estados Unidos.
Embora os homicídios tenham diminuído, Honduras tem uma taxa de 23 assassinatos por 100 mil habitantes, e as gangues extorquem grandes e pequenos empresários.
Embora não tenha dito como enfrentará a criminalidade, Asfura antecipou que “não será renovado” o estado de exceção imposto por Castro, semelhante ao da guerra às gangues declarada pelo presidente salvadorenho, Nayib Bukele, criticado por grupos de direitos humanos.
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