Política
A estratégia do PT no Piauí para barrar Ciro Nogueira no Senado
A orientação é clara: não haverá espaço para apoiar Fonteles ou Lula e, ao mesmo demonstrar neutralidade ou simpatia pelo cacique do PP
O PT no Piauí já elencou suas três prioridades para o ano: reeleger o popular governador Rafael Fonteles, ampliar a margem de votos para Lula e impedir que o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, renove o mandato no Senado por mais seis anos.
O secretário de Comunicação do PT no Piauí, Mateus França, afirmou a CartaCapital que o partido decidiu não lançar candidatura própria ao Senado para maximizar as chances de eleger aliados nas duas vagas em disputa.
A expectativa é que o apoio fique com Marcelo Castro, do PSD, e Júlio Cesar, do MDB. Além da afinidade programática com o governo estadual e com o Planalto, uma pesquisa da Real Time Big Data divulgada no ano passado indicou vantagem numérica de ambos: Castro aparece com 29% das intenções de voto, seguido por Júlio Cesar, com 20%. Ciro Nogueira vem logo atrás, com 19%.
Do lado do senador do PP, a estratégia combina o discurso nacional de oposição ao PT com um esforço concentrado de enraizamento local. Ciro tem intensificado agendas no estado e se aproximado dos 34 prefeitos do partido no Piauí. Em Teresina, ele já divide palanque com o prefeito Silvio Mendes (União), eleito em 2024 com seu apoio.
Para enfrentar a capilaridade do adversário no interior, lideranças petistas defendem apertar o cerco sobre os prefeitos aliados. A orientação é clara: não haverá espaço para apoiar Fonteles ou Lula e, ao mesmo demonstrar neutralidade ou simpatia por Ciro Nogueira.
“Nós cobramos fidelidade partidária. Temos uma resolução estadual que autoriza a não tolerar infidelidade”, reforça Mateus França. “Para nós, não faz sentido eleger Lula e não eleger uma bancada forte. E, para isso, esses votos precisam permanecer no grupo.”
Barrar a recondução de um dos principais antagonistas do governo Lula é parte de uma estratégia mais ampla: conter o avanço da direita no Senado. É ali que podem prosperar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal e onde o presidente da República vê confirmadas ou bloqueadas suas indicações para tribunais e agências estratégicas.
O ex-presidente Jair Bolsonaro já afirmou que, com maioria na Casa, teria mais poder que o chefe do Executivo a partir de 2027. Para isso, aposta na eleição de um núcleo duro formado por nomes como Carlos Bolsonaro, Guilherme Derrite e… Ciro Nogueira.
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