Sociedade

O que se sabe sobre o caso do cão Orelha, que morreu após ser agredido em SC

O animal, de 10 anos, teve de ser submetido a um processo de eutanásia em Florianópolis

O que se sabe sobre o caso do cão Orelha, que morreu após ser agredido em SC
O que se sabe sobre o caso do cão Orelha, que morreu após ser agredido em SC
Orelha era um dos cães mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis. Créditos: Reprodução/Redes sociais
Apoie Siga-nos no

A Polícia Civil indiciou os familiares dos adolescentes suspeitos de agredirem o cachorro Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. O inquérito, concluído na segunda-feira 26, foi conduzido pela Delegacia de Proteção Animal (DPA) da capital catarinense.

Os responsáveis legais pelos adolescentes — entre eles um advogado e dois empresários — foram interrogados e indiciados pelo crime de coação no curso do processo. Segundo a investigação, eles teriam pressionado testemunhas que possuíam provas das agressões contra o animal. Uma das vítimas da suposta coação seria o segurança de um condomínio da região da Praia Brava, que teria presenciado os maus-tratos.

O cão, de 10 anos, estava desaparecido e foi encontrado agonizando no dia 16 de janeiro. Em razão da gravidade dos ferimentos, os veterinários decidiram pela eutanásia do animal. O cachorro, conhecido na comunidade, era alimentado e cuidado pela vizinhança.

Moradores e internautas protestam e homenageam o cão Orelha nas redes sociais — Foto: Reprodução/@floripa_estacomvcorelha, @peachzmilk Moradores e internautas protestam e homenageiam o cão Orelha nas redes sociais. Créditos: Reprodução/@floripa_estacomvcorelha, @peachzmilk

No decorrer da apuração, a polícia também cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos adolescentes suspeitos. Celulares e outros dispositivos eletrônicos foram recolhidos e passarão por perícia técnica.

Paralelamente, tramita um auto de apuração de ato infracional instaurado pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE). O procedimento busca esclarecer a participação dos jovens no episódio. Eles ainda serão convocados para prestar depoimento.

Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira 27, a delegada da DPA, Mardjoli Valcareggi, afirmou que mais de 20 pessoas foram ouvidas e que os investigadores analisaram cerca de 72 horas de gravações provenientes de 14 câmeras de monitoramento. O objetivo, segundo ela, foi reconstruir com precisão a dinâmica do crime.

A delegada revelou ainda que a polícia analisa imagens de outros episódios possivelmente relacionados ao caso de Orelha. Há suspeitas de que o mesmo grupo de adolescentes esteja envolvido em maus-tratos contra outro cachorro da região, chamado Caramelo, que teria sido arremessado ao mar, mas conseguiu escapar. O animal acabou sendo adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel.

O desfecho da investigação poderá resultar na aplicação de medidas socioeducativas, a serem definidas pelo Judiciário, caso a responsabilidade dos adolescentes seja confirmada.

A Polícia informou ainda que dois dos adolescentes investigados estão em viagem de formatura aos Estados Unidos, previamente agendada. Diante da repercussão do caso e do clima de comoção pública, os investigadores afirmaram que será montada uma operação de segurança no aeroporto, em conjunto com a Polícia Militar, para garantir a integridade do grupo — formado por 115 adolescentes — que deve retornar ao Brasil na próxima semana. A data exata do retorno não foi divulgada.

ENTENDA MAIS SOBRE: , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo