Economia
Modelo de negócio do Master era ‘100% baseado no FGC’, diz Vorcaro à PF
Mecanismo cobre parte das perdas de investidores em caso de problemas em instituições financeiras
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, admitiu em depoimento à Polícia Federal que o banco enfrentou uma crise de liquidez e que seu modelo de negócios era “100% baseado” no Fundo Garantidor de Créditos, mecanismo que cobre parte das perdas de investidores em caso de problemas em instituições financeiras.
“Não havia nada de errado nisso, essa era a regra do jogo”, disse. A oitiva ocorreu no final de 2025, como parte do inquérito que apura suspeitas de irregularidades envolvendo a instituição, cuja venda ao Banco de Brasília acabou sendo vetada pelo Banco Central. Após a negativa, a autoridade monetária decretou a liquidação extrajudicial do Master.
No depoimento à PF, ao qual a reportagem teve acesso, Vorcaro atribuiu a crise às alterações regulatórias no FGC, o fundo privado formado pela contribuição dos bancos. “Essa mudança pressionou a captação do banco, porque todo o plano de negócio desde 2018, que a gente entregou para o Banco Central, ele era baseado no FGC”. Com a liquidação do Master e do Will Bank, que faz parte do grupo, o mecanismo deve pagar cerca de 45 bilhões de reais aos credores.
“Após a gente começar e começar a crescer, muda-se a regra do jogo. Quando se muda a regra do jogo, a gente precisa se adequar, a gente vai para outros meios de captação e aí inicia-se uma campanha contrária, reputacional contra o banco”, completou o banqueiro ainda em referência às mudanças no fundo.
Segundo ele, a “deterioração” na imagem do Master começou após essa alterações regulatórias. “Inicia-se uma campanha contrária, reputacional contra o banco, que já foi várias vezes provada que não é realidade, pelos mesmos veículos de mídia que são de propriedade de concorrentes, essa é a grande realidade”.
Vorcardo ainda relatou aos investigadores ter buscado soluções junto ao BC para evitar prejuízos ao sistema financeiro nacional. Conforme a transcrição do depoimento, o empresário disse considerar que a crise poderia ter sido administrada sem medidas extremas. “O prejuízo, no final, não foi só meu, foi do sistema financeiro”.
O banqueiro ficou preso por 12 dias após ser preso na primeira fase da Operação Compliance Zero e atualmente cumpre medidas cautelares determinadas pela Justiça Federal, como uso de tornozeleira eletrônica.
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